OBSERVATÓRIO | Cidades pequenas concentram metade das mortes no trânsito
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Cidades pequenas concentram metade das mortes no trânsito

Cidades pequenas concentram metade das mortes no trânsito

Reportagem da Jornal Folha de São Paulo deste sábado (27/7), assinada pelo jornalista Fabrício Lobel,  divulga o estudo feito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) em parceria com o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) que aponta: as cidades brasileiras de pequeno porte (com até 100 mil habitantes) concentram praticamente a metade das vítimas de trânsito no país (49%).

O dado é alarmante, já que nelas residem 43% da população –além de terem menor frota de veículos e fluxo de viagens. Essas cidades também estão mais longe de cumprirem as metas nacionais de redução de mortes.

Os dados são do SUS de 2017, que apontam a ocorrência de 35.367 mortes no trânsito em todo o território brasileiro. Para o OBSERVATÓRIO, falta maior compromisso das prefeituras de municípios de pequeno porte com o tema.

Para efeito de comparação, cidades grandes (que têm mais de 500 mil habitantes) concentram 30% da população brasileira, mas respondem por 23% das mortes no trânsito. Nas cidades médias (entre 100 mil e 500 mil habitantes), há maior equilíbrio entre os dois parâmetros: nelas residem 26% da população do Brasil e morrem 28% das vítimas do trânsito brasileiro.

Segundo o ONSV, os números indicam a necessidade de que as prefeituras pelo país foquem a gestão de seus sistemas de transporte e vias.

Para se ter uma ideia, apenas 29% das cidades brasileiras têm o sistema de trânsito local municipalizado. Ou seja, criaram departamentos executivos para o trânsito e atuam nos temas de educação, engenharia de tráfego e fiscalização. Em todas as outras cidades, o trânsito local fica sem cuidados específicos.

A partir de 2018, com a criação do Pnatrans (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito), a expectativa era de que todos os municípios brasileiros assumissem a responsabilidade de gerir seu trânsito, o que não ocorreu. A municipalização já foi feita em 98% das cidades grandes e em 97% das de médio porte. O vácuo está justamente entre as de pequeno porte.

Para José Aurelio Ramalho, diretor-presidente do OBSERVATÓRIO, ainda há um custo muito grande para que as prefeituras assumam o controle e a fiscalização de suas avenidas. “Para organizar um sistema desse, o prefeito precisa de receitas que viriam de multas ou zona azul a ser implantadas nas cidades. Isso gera um custo político que muitas vezes ele não está disposto a assumir”, comenta.

Ramalho recomenda que cidades menores adotem o cuidado com o trânsito em etapas. Inicialmente com a educação, depois com a introdução de medidas de engenharia e, após essas medidas, a fiscalização. “Esse avanço dá maior respaldo para a fiscalização ocorrer”, analisa.

PNATRANS

O Pnatrans trouxe ainda uma nova meta de redução de mortes no trânsito (outra havia sido pactuada com a ONU e está longe de ser alcançada até 2020). O novo objetivo é reduzir em 50% o índice de mortes no trânsito a cada cem mil habitantes até 2028. A meta leva em consideração a taxa de mortalidade no trânsito de 2018, que ainda não foi contabilizada.

Ainda sem os dados de 2018, a pesquisa da UFPR estimou a meta de 2028 em 9 mortes no trânsito a cada cem mil habitantes. Segundo a pesquisa, 62% das cidades estão acima desta meta.

Entre os municípios acima da meta, os de menor porte estão mais longe dela. Eles têm, em média, uma taxa de 31 mortes a cada cem mil habitantes. As cidades grandes têm média de 19 mortes.

Os municípios onde houve registro de mortes e que não criaram seus departamentos de trânsito estão também mais longe da meta do que aqueles que municipalizaram o setor.

A matéria completa está disponível para assinantes em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/07/cidades-pequenas-concentram-metade-das-mortes-no-transito.shtml

 

4 Comentários
  • Arthur Magalhães
    Postado às 10:17h, 28 julho Responder

    Excelente reportagem. Um bom diagnóstico sempre é o primeiro passo para o tratamento da “doença”. Quanto mais dados melhor para o convencimento político.

    • Carlos Azevedo
      Postado às 12:44h, 29 julho Responder

      Complementando Arthur. Acredito que a partir daí os gestores municipais poderão ser mais cobrados pela população.

      Isso se houver compreensão dos munícipes da importância de regras de circulação e segurança para condução dos veículos.

      A matéria não demonstrou mas, por certo, esses acidentes fatais se concentram nos condutores de veículos de duas rodas (motos, ciclomotores, etc.), que via de regra, nestes pequenos municípios circulam sem que seus condutores usem capacete ou qualquer outro dispositivo de proteção, sem camisas, descalços e uma gama de infrações que se possa imaginar.

      Caso nada seja feito, eles continuarão liderando o ranking de acidentes, proporcionalmente.

      Ficamos na torcida por alguma mudança efetiva.

  • Alberto
    Postado às 12:41h, 30 julho Responder

    Excelente reportagem. Porém algo me chama a atenção. E nas rodovias? Muitas passam por dentro das cidades. O que pode minimizar a efetividade de ações nos pequenos municípios. Então,

  • Alberto Gabellini
    Postado às 12:42h, 30 julho Responder

    Excelente reportagem. Porém algo me chama a atenção. E nas rodovias? Muitas passam por dentro das cidades. O que pode minimizar a efetividade de ações nos pequenos municípios. Então,

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