OBSERVATÓRIO | Dentro do carro, só resta ter paciência para encarar o trânsito
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Dentro do carro, só resta ter paciência para encarar o trânsito

Dentro do carro, só resta ter paciência para encarar o trânsito


Dentro do carro, só resta ter paciência para encarar o trânsito

Mal começa o dia e a representante comercial Júlia Siqueira, 47 anos, já está no carro para enfrentar a rotina diária pelas ruas e avenidas de Ribeirão Preto. Pela frente, ela tem uma maratona de visitas a cerca de 14 clientes e de muito trânsito em grande parte do expediente.

Júlia é vendedora há 20 anos e lida com congestionamentos, motociclistas passando pelos corredores e eventuais acidentes no trajeto. A solução encontrada para evitar o estresse é o bom humor. “Se você estressa, é pior. Não posso chegar nervosa no cliente”, observa.

Em caso de fechada, batida ou qualquer outro desentendimento no trânsito, ela prefere relevar. “Você não sabe com que você está lidando. A pessoa pode ter uma arma e atirar.”

A educação é o remédio para as longas horas perdidas dentro do carro.  A rotina no trânsito exige manobras. O almoço em casa, na companhia da família, por exemplo, é uma utopia. Como não há tempo a perder, é preciso um breve “pit stop” em um posto de combustíveis somente para comprar um sanduíche. “Já cheguei a comer marmita embaixo de árvore.”

Outro “truque” é trocar de carro a cada dois anos. Em duas semanas de uso, o odômetro do HB20 da vendedora já registrava 1.525 km rodados. “É muita coisa!”. Resta ainda optar por avenidas menos movimentadas e evitar os horários de pico para driblar o tempo no trânsito. Júlia lembra, no entanto, que não há mais hora tranquila para trafegar pela avenida Francisco Junqueira. Para contornar a lentidão do trânsito e distrair os pensamentos, entra em cena o rádio: “É meu companheiro.”

No trânsito, a vendedora também já passou um grande susto. Foi sequestrada há oito anos. Ela estava entrando no carro quando foi abordada por dois criminosos na Lagoinha, zona Leste. “Eu comemoro dois aniversários, o dia em que eu nasci e o dia em que eu saí viva desse pesadelo”, declara.

Fora esse episódio, Júlia leva a vida e o trânsito com um sorriso no rosto. “Apesar de tudo, eu amo o que eu faço.”

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Hellen colocou pinos: “parece que ele atropelou um cachorro” (foto: F.L. Piton / A Cidade)

Hellen é uma das muitas vítimas da imprudência 

A depiladora Hellen Caroline de Moura Guimarães, 27, foi vítima de um acidente de carro em 1º de junho deste ano. Ela trafegava com seu Ford Ka pela avenida Luigi Rosiello, no Monte Alegre, quando foi atingida por um carro conduzido pelo estudante de medicina João Paulo Hernandes, 22, que dirigia, embriagado, no sentido contrário da via.

Os dois veículos bateram de frente. Hellen estava com o cinto de segurança, mas ainda assim machucou o rosto, fraturou costelas e quebrou o tornozelo direito. Submetido ao teste do bafômetro, o estudante foi considerado alcoolizado e encaminhado à delegacia. Ele pagou uma fiança de R$ 800 e foi liberado.

Já Hellen, que não tem convênio médico, foi levada à UBDS Sumarezinho e, depois, ao Hospital Santa Lydia. Ela permaneceu 20 dias de cama.

O carro deu perda total e o prejuízo não foi arcado pelo causador do acidente. “Estou esperando, até agora.” Hellen vai entrar na justiça, pedindo danos morais e materiais.

Análise

Ainda falta respeito aos limites

Para se ter um veículo, você tem que ter um condutor. Nós temos observado que a grande maioria das notícias de acidentes é dada dizendo que o condutor perdeu o volante, o controle da direção ou o freio. Isso não é verdade. Se o condutor está embriagado ou em alta velocidade, ele não perdeu o controle. O carro não mata, quem mata é o motorista. O condutor não respeita o limite de velocidade e a questão da velocidade é fundamental, porque pode definir a vida e a morte. Nós, como meros munícipes, ficamos até bravos com o limite de 40 km/h, por exemplo, mas temos que lembrar que nós estamos dividindo a rua com outras pessoas. Temos uma falsa impressão de que o público não tem dono, mas público significa de todos. É preciso respeitar a sinalização, a velocidade e não usar o celular ao volante, nem o bluetooth. Quando você está no celular, o seu raciocínio vai todo para a conversa. Costumo dizer que, quando você está “on” no celular, você está “off” no trânsito. O aumento da frota de veículos também é uma preocupação. É necessário formar bem os novos condutores. Atualmente, decoramos cerca de 30 placas e meia dúzia de leis. Os condutores deveriam ser formados de outra maneira. A melhor forma de educar é falar dos riscos que a pessoa corre, não apenas das multas. Além disso, a fiscalização tem que ser efetiva.

José Aurélio Ramalho, presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária

Fonte: Jornal A Cidade

 

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