OBSERVATÓRIO | Formação de condutor: Um desafio de todos
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Formação de condutor: Um desafio de todos

Formação de condutor: Um desafio de todos


Formação de condutor: Um desafio de todos

O Observatório Nacional de Segurança Viária marcou presença no VII Encontro Ibero-Americano de Formação de Condutores, organizado pela Feneauto entre 12 a 14 de setembro deste ano em Fortaleza-CE, onde estiveram presentes também, diretores/proprietários de Autoescolas/Centro de Formação de Condutores, autoridades e especialistas voltados à área de trânsito de 22 Estados brasileiros e 10 países, incluindo Portugal e Espanha. O evento teve como tema: “Como aprimorar e modernizar o processo de formação de condutores”. Percebe-se hoje que muitas entidades envolvidas neste processo estão despidas de uma defesa, pelo contrário, sendo até incisivas nas críticas sobre as melhorias que elas necessitam exercer.

Na oportunidade, o presidente do Observatório, José Aurélio Ramalho, apresentou o Programa “Observar” que traz dicas de segurança viária em formato de vídeos, além de mostrar o trabalho que está sendo realizado na cidade de Indaiatuba-SP junto aos CFCs, Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) e Prefeitura Municipal, na elaboração de Centros de Educação e Formação de Motoristas e Motociclistas do município, onde futuros condutores possam encontrar situações muito mais próximas da realidade, prezando por uma educação voltada ao comportamento seguro, fugindo da antiga ideia banal de mecanização deste processo.

Trabalhando sob os pilares da ONU determinados para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, o Observatório vem realizando um trabalho de análise das ocorrências, suas causas e consequências. Segundo pesquisas do Observatório, o maior inimigo atual no trânsito é o uso do aparelho celular. É necessária a interrupção da hipocrisia no jogo de culpa entre os atores do trânsito, trazendo a responsabilidade para cada um de nós. Os acidentes, independente de suas consequências ou gravidades, devem ser tratados como ocorrências, pois a diferença entre a vida e a morte pode estar apenas em uma questão de sorte.

Dados e informação

Somente no 1º semestre de 2013, houve no país uma redução cerca de 3% nas ocorrências de mortes, enquanto o número de ocorrências envolvendo pessoas que tiveram alguma sequela por acidentes de trânsito aumentou em 50%, se comparado com o mesmo período do ano passado. Com isso, podemos afirmar que, por vários motivos, entre eles a redução da velocidade nas vias ou por excesso de veículos ou por ação direta dos órgãos de trânsito, está “matando” menos no trânsito, mas produzindo mais vítimas sequeladas.

Em seu discurso, Ramalho reforça que segundo o relatório da Organização Pan-americana de Saúde, das legislações básicas que presam por reduzir acidentes de trânsito, o Brasil possui todas, chamando atenção para a hipocrisia e o adiamento de ações corretivas e preventivas. “Nosso problema não são as leis. Não precisamos de mais leis, precisamos parar com a hipocrisia. Parar de adiar as ações”, diz o presidente do Observatório.

Como preparar o futuro condutor?

A preparação do condutor foi analisada nas questões de: saúde, no exame psicotécnico; nas aulas teóricas e práticas, visando a necessidade de uma educação voltada ao comportamento seguro; da proposta de simuladores de condução; avaliações teóricas e práticas, que hoje são subjetivas e não possuem caráter pedagógico, de fácil entendimento. Tais avaliações necessitam de objetividade que propicie a reflexão e fixação do aprendizado voltado para uma condução segura, humana e cidadã.

O Programa OBSERVAR tem um conteúdo didático, dinâmico e apresenta situações de risco. Por meio de animação gráfica é passado ao telespectador/ouvinte quais atitudes devem ser tomadas diante de cada uma das situações apresentadas. A intenção é reforçar o ensino para auxiliar as autoescolas. Porém, segundo Ramalho, o que existe hoje é uma relação comercial entre o consumidor (futuro condutor) e o centro de formação. A autoescola deve ser tratada como instituição de ensino e não uma contratação de serviço. Isso deve ser discutido sob outra ótica. Trazendo a tona a pergunta: de quem é a responsabilidade?

Existem muitos furos e brechas no sistema de formação do condutor brasileiro, esse é um processo que deve ser levado muito a sério. Indo mais longe, na hora da venda de um veículo, por exemplo, a empresa deveria se preocupar no ato da entrega do veículo para o cliente, informando o cliente sobre os dispositivos de segurança e como utilizá-los. Existem interesses legítimos que precisam ser tratados, na formação do condutor, por exemplo, um analfabeto funcional consegue retirar sua habilitação. Mas quantos meses são necessários para fazer um curso de informática básica?

Segundo pesquisas do Observatório, o maior inimigo atual do trânsito seguro é o uso do aparelho celular. Mesmo que utilizando o bluetooth, o equipamento retira a atenção do condutor, podendo causar mortes. É necessária a interrupção do jogo de culpa entre os atores do trânsito e a hipocrisia, trazendo a responsabilidade para cada um de nós.

Fazendo uma analogia Ramalho conclui: “Não precisamos reinventar a roda, quando um novo produto, tecnologia ou serviço são lançados no mercado, imediatamente são difundidos pelo mundo todo, por que então não seguimos esse exemplo na Educação? É muito mais fácil utilizar a experiência já existente em alguns lugares e disseminá-la por aqui. Comissões são importantes, mas ainda mais importantes, são as ações”, finalizou José Aurélio Ramalho, presidente o Observatório Nacional de Segurança Viária.

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