OBSERVATÓRIO | Simpatia se torna remédio contra rotina nos ônibus
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Simpatia se torna remédio contra rotina nos ônibus

Simpatia se torna remédio contra rotina nos ônibus


Simpatia se torna remédio contra rotina nos ônibus

Motoristas do transporte público têm rotina de desafios pelas vias de Ribeirão

Os motoristas de ônibus respiram trânsito. Não há como falar da rotina desses profissionais sem mencionar carros, motos, caminhões, pedestres, ciclistas, congestionamentos e até acidentes.
Segundo usuários do transporte coletivo de Ribeirão Preto ouvidos pelo A Cidade, os motoristas de ônibus devem ser, sobretudo, pontuais e simpáticos, características que o motorista Orlando Costa, 64 anos, tem de sobra.

Costa poderia, inclusive, se candidatar ao cargo de vereador. Ele trafega pelas ruas de Ribeirão Preto acenando para os passageiros, que estão por todo lado.

Há 36 anos trabalhando como motorista de ônibus, e 23 anos atuando na linha Higienópolis – que parte do Centro da cidade e vai até o bairro Quintino Facci II, na zona Norte – Costa também poderia ser guia turístico, pois conhece o trajeto de cor e salteado.

Mas o motorista está satisfeito com o que faz. Graças à profissão, ele formou os quatro filhos. “Pude oferecer a eles um padrão de vida que eu não tive”, comenta ele.

Costa aprendeu a dirigir ainda jovem. Aos 13 anos, já operava máquinas e caminhões na roça. “Venho de uma família humilde, mas muito trabalhadora”, destaca.

O trabalho, mesmo que precoce, lhe rendeu bons frutos na vida. “Tudo o que eu tenho eu consegui trabalhando”, observa.

Rotina
Atualmente, Costa desfruta da aposentadoria, também prematura, aos 43 anos, mas segue trabalhando. Todo dia às 5h, ele pega um ônibus que o leva à garagem da Transerp (Empresa de Trânsito e Transporte Urbano), faz o percurso da linha quatro vezes e meia e, às 15h, vai para casa.

O trabalho é ininterrupto. Os passageiros não podem esperar e, por isso, não dá tempo de parar para quase nada. Até a ida ao banheiro é corrida. “Mas já me acostumei”, destaca.

O motorista é exigente com o horário. Ele até espera os passageiros que chegam atrasados ao ponto, mas olha sempre no relógio para garantir a pontualidade. “É uma profissão de muita responsabilidade. As pessoas dependem de mim”, afirma.

Costa também respeita as leis de trânsito. Quando o celular toca, ele encosta para atender e logo dispensa a pessoa do outro lado da linha. “Estou ocupado”, diz.

Preocupações
O motorista vê pressa, impaciência, imprudência e irregularidades o tempo todo.
“Ficou muito fácil comprar carro hoje em dia”, observa. Os carros, no entanto, não são o principal motivo de preocupação para Costa, mas sim as motocicletas. “A maior parte dos motoqueiros não tem noção. Eles ultrapassam pela direita”, comenta.

Condições ainda não favorecem uso dos ônibus

“A sociedade quer usar o transporte público, mas as condições não favorecem”, diz o diretor-presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária, José Aurélio Ramalho.

A frase do especialista pôde ser confirmada na última segunda-feira, dia mundial sem carro. As ruas do Centro de Ribeirão estavam repletas de veículos.

Segundo Ramalho, a adesão ao transporte coletivo está associada à capacidade de transporte, à frequência e ao conforto.

Mas, usuários do transporte coletivo de Ribeirão Preto se queixam, principalmente, da capacidade de transporte e da frequência. “Tinha que ter mais ônibus nos horários de pico”, diz Adriana de Sousa, 47 anos. Ester de Moura, 20 anos, concorda. “Falta ônibus na cidade”, destaca.

Análise – É preciso estimular o coletivo

O uso dos carros em detrimento dos ônibus é uma questão cultural, que está enraizada na nossa sociedade. Historicamente, viemos de uma cultura automobilística. Desde que o carro foi inventado, ele é objeto de desejo. E hoje ele se tornou mais acessível.  Por outro lado, a tarifa de ônibus ainda é um dos grandes impactos no orçamento de uma família que usa o transporte coletivo. Para quebrar essa cultura automobilística não basta melhorar a qualidade do transporte coletivo, é preciso desestimular o uso do carro. Paulo Guimarães – Membro do Observatório Nacional de Segurança Viária

Fonte: Jornal A Cidade

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