OBSERVATÓRIO | Trânsito de Ribeirão Preto mata cinco e fere 230 pessoas por mês
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Trânsito de Ribeirão Preto mata cinco e fere 230 pessoas por mês

Trânsito de Ribeirão Preto mata cinco e fere 230 pessoas por mês


Trânsito de Ribeirão Preto mata cinco e fere 230 pessoas por mês

Imprudência, consumo de álcool e negligência são os principais causadores de acidentes na cidade

A violência no trânsito de Ribeirão Preto, decorrente de uma mistura de imprudência, negligência e álcool, tem deixado um rastro trágico na cidade. Todo mês, a Polícia Civil contabiliza uma média de 5 mortos e 230 feridos nas ruas da cidade.

É o que mostram os dados dos últimos três anos da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. No período, 200 pessoas morreram em acidentes de trânsito e 8.308 ficaram feridas.

O engenheiro civil especialista em trânsito Paulo Guimarães, membro do Observatório Nacional de Segurança Viária, é taxativo ao afirmar que a maioria dos acidentes é causada pela falta de cuidado ou de responsabilidade dos motoristas.

“O que a gente nota é que a imprudência tem prevalecido sobre a imperícia e a negligência”, diz.
Ele destaca que o excesso de velocidade, o consumo de álcool ao volante e as distrações, como o uso de celular e de remédios ao dirigir e o sono, são as principais causas de acidentes.

Em agosto do ano passado, por exemplo, o diretor técnico do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) Duílio Tronco Júnior, 56 anos, morreu em um acidente de moto na zona Leste da cidade ao dirigir em alta velocidade.

Ele pilotava uma Suzuki 750 pela avenida Maurílio Biagi quando perdeu o controle da direção e bateu contra um poste de iluminação pública próximo ao cruzamento com a avenida Presidente Kennedy.
Com o impacto, a vítima teve a perna direita decepada e o resto do corpo arremessado a 40 metros de distância. Morreu na hora. O velocímetro da moto ficou travado em 200 km/h.

Guimarães ressalta que as maiores vítimas de acidentes costumam ser jovens de 18 a 35 anos do sexo masculino e que a motocicleta é o tipo de transporte mais perigoso.

Para o engenheiro, uma das maneiras de reverter esse quadro é investir na formação do condutor. “Atualmente, ensinamos as pessoas que, se elas passam no sinal vermelho, vão levar multa e sete pontos na CNH, mas ninguém ensina que isso pode tirar a vida de outra pessoa”, diz

A PM informa que realiza semanalmente Operações Direção Segura para reduzir ocorrências relacionadas ao uso de álcool por motoristas e proporcionar mais sensação de segurança.

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Mapa mostra as vias com o maior número de acidentes em Ribeirão Preto ( Arte / A Cidade)

Imprudência dizimou família em abril

Em abril do ano passado, a irresponsabilidade de criminosos no trânsito acabou ceifando uma família inteira.

Sophie, de um ano e cinco meses, e seus pais, Leonardo da Silva Forti, 22 anos, e Letícia Mathias Alves, 21 anos, morreram depois que o carro da família foi atingido por um EcoSport em alta velocidade conduzido por assaltantes perseguidos por policiais militares.

Pai, mãe e filha foram arremessados para fora do veículo e Sophie morreu na hora. Alguns dias depois, os pais da menina também morreram.

O homem que conduzia o carro roubado, Vander Reis Anastácio, de 49 anos, morreu enquanto era levado para o hospital.

O especialista em trânsito Paulo Guimarães acredita que as pessoas devem ser alertadas, desde pequenas, sobre os riscos de suas ações no trânsito. “Se fôssemos criados com uma percepção de risco, usaríamos o cinto de segurança independentemente de multa”, diz.

Além disso, o engenheiro defende a capacitação dos instrutores e examinadores das autoescolas. “O foco é o fator humano.”

Acidente matou mais que homicídio

Em 2014, o número de óbitos decorrentes de acidentes de trânsito foi superior ao número de vítimas de homicídios dolosos e culposos na cidade.

A SSP-SP contabilizou 61 mortes no trânsito, sendo 4 vítimas de homicídios dolosos por acidente de trânsito e 57 homicídios culposos.

Já em relação aos homicídios, a secretaria registrou 48 vítimas em homicídios dolosos e três homicídios culposos, totalizando 51 mortos. Em comparação a 2013, a quantidade de mortes decorrentes de acidentes de aumentou 10%. De 55, saltou para 61.

Na opinião de Paulo Guimarães, as políticas públicas parecem estar surtindo efeito na área da segurança pública, mas o mesmo não tem acontecido com a segurança viária.

Ele afirma que é preciso organizar as estatísticas para, então, fazer diagnósticos compatíveis com as características de cada local e, assim, investir em políticas públicas de curto, médio e longo prazos.

ANÁLISE

Cruzamento com semáforo é o vilão

A maioria dos acidentes dentro da cidade acontece em cruzamentos e grande parte desses cruzamentos tem semáforos. Isso significa que, em um acidente que ocorreu em um local com semáforo, alguém passou no sinal vermelho. A infração de avançar no sinal vermelho é gravíssima e rende sete pontos na carteira de habilitação, mas, isso não é o bastante. A carteira deveria ser suspensa. As alterações nas leis costumam surtir efeito. Nas rodovias, por exemplo, a multa para quem ultrapassa em locais proibidos aumentou de R$ 127,69 para R$ 957,70 no ano passado. E a multa para o motorista que faz ultrapassagens perigosas passou de R$ 191,54 para R$ 1.915,40. Quando pesa no bolso, percebemos que as pessoas começam a mudar. Outra coisa que deveria ser repensada é a questão dos reincidentes, que teriam de passar por um cursinho de reciclagem, e não apenas fazer uma prova. Também precisamos de campanhas educacionais de conscientização.

Fonte: A Cidade

 

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