OBSERVATÓRIO | Violência no trânsito: riscos para mulheres é quatro vezes menor de morrer nas vias
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Violência no trânsito: riscos para mulheres é quatro vezes menor de morrer nas vias

Violência no trânsito: riscos para mulheres é quatro vezes menor de morrer nas vias

A cada 10 óbitos no trânsito, apenas dois são de mulheres

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Quando o tema é violência no trânsito, a questão de gênero é muito clara, mas com vantagens para o público feminino.

Dados do DataSUS para 2014 confirmam o que já é uma tendência nos últimos 14 anos, de acordo com o OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária. A disparidade de mortes entre homens e mulheres é enorme. A cada 10 vítimas fatais no trânsito, praticamente 8 são homens e 2 são mulheres. A proporção de óbitos entre os públicos feminino e masculino praticamente não tem oscilado neste período.

Focando em 2014, a distribuição de mortes por faixa etária e gênero revela que é na faixa dos 25 aos 29 anos, onde há a maior variação. Veja quadro abaixo:

Faixa etária/percentual de óbitos para homens e para mulheres:

18 a 24:           85,3% H                      14,7% M

25 a 29:           86,4% H                     13,6% M

30 a 39:           85,6% H                      14,4% M

40 a 49:           84,3% H                     15,7% M

50 a 64:           81,5% H                      18,5% M

Quando o OBSERVATÓRIO analisa as indenizações pagas por sexo pelo DPVAT/Seguradora Líder, mas agora tendo como referência 2015, das 595.693 das indenizações permanentes, 26% foram destinadas para mulheres e 74% para homens.

Se a análise for pelo tipo de veículo usado, as indenizações pagas por invalidez, considerando sexo e motocicletas vão apresentar um percentual de 22% para as mulheres e 78% aos homens. Já considerando os demais veículos, esse percentual sobe para 34% para mulheres e cai para os homens para 66%.

De acordo o OBSERVATÓRIO, não existe uma confirmação metodológica que justifique a violência no trânsito apresentar patamares menores com o público feminino, apenas há uma constatação de que as mulheres tendem a uma percepção maior de risco no trânsito e, consequentemente, uma tendência menor de engajar em comportamentos de risco no trânsito. Esse fenômeno tem a tendência de se traduzir em um risco real menor no trânsito para esse segmento.

Além disso, as mulheres no Brasil provavelmente têm uma menor exposição real ao trânsito. Dados do DETRAN- DF apontam que 61,6% dos habilitados são homens e apenas 38,4% são mulheres (dados de jan/2016). O DETRAN- RO já indica 68,3% homens e 31,7% mulheres (dados de 2014). Mas, infelizmente não temos essa informação para o país como um todo.

O OBSERVATÓRIO destaca ainda que a exposição das mulheres no trânsito pode ser bem diferente da dos homens, pois devem ser considerados, por exemplo, quilometragens percorridas para os dois segmentos: as mulheres que dirigem, dirigem quantos km em média por dia? E quantos km os homens dirigem por dia? Quem dirigir mais estará mais exposto, e isto será mais um fator presente nessa discrepância.

Segundo o OBSERVATÓRIO, nos EUA, onde esse conjunto de dados é encontrado, um levantamento de 2008, mostra que, para cada 100 milhões de quilômetros viajados, há registro de  2.1 mortes de homens e 1.4 de mulheres. Ou seja, eliminando-se o fator exposição, os homens apresentaram aproximadamente 50% mais fatalidades no trânsito, valor este que acredita-se ser explicado principalmente pelos comportamentos de risco.

E naquele país, comportamentos de risco específicos foram analisados em 2014, com resultados que apontam que o álcool estava presente em 36% das mortes de homens e 22% das mortes de mulheres.

Ainda sobre o álcool, o relatório de 2014 do FBI mostra que, do total de detidos por dirigir embriagados, aproximadamente, 25% eram mulheres e 75% eram homens.

Já o excesso de velocidade, foi identificado em 30% das mortes de homens e 20% na de mulheres.

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