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Cai o número de mortes no trânsito em 2018

Escrito por Portal ONSV

31 MAR 2020 - 11H21

Análise do OBSERVATÓRIO aponta redução em todas regiões do país

O número de mortes em acidentes de trânsito teve redução de 9% no Brasil, passando de 35.375 em 2017 para 32.121 em 2018. A comparação, feita pelo OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária, tem como base os dados preliminares de mortalidade no trânsito para o ano de 2018, divulgados pelo DataSUS, base de dados do Ministério da Saúde. A redução no número absoluto de mortes foi registrada em todas as regiões do país, sendo o Sudeste a região que apresentou maior redução com 14%, seguida da região Norte (-10%), Nordeste (-6%), Sul (-5%) e Centro-Oeste (-4%).

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Outro aspecto positivo revelado pelos dados foi a redução das mortes em quase todos os modos de transporte, com exceção do modal ciclo viário, visto que as mortes de ciclistas apresentaram um aumento próximo de 2%. Os resultados mais significativos envolvem as mortes de ocupantes de ônibus, que reduziram 28%, assim como os pedestres e ocupantes de automóveis, com redução de 11% e 12%, respectivamente. As demais categorias obtiveram variações entre 8 e 9%. É o quarto ano consecutivo em que o número de vítimas fatais em acidentes com ônibus apresenta o melhor resultado quando comparado aos outros tipos de transporte. Para efeito de comparação, a maior parcela das mortes ainda ocorre para ocupantes de motocicletas (35%) e de automóveis, que somados são quase 60% do total. Abaixo o gráfico:

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Embora os números indiquem uma considerável redução de mortes, é importante destacar que tradicionalmente os valores preliminares divulgados pelo DATASUS são inferiores aos valores definitivos divulgados alguns meses depois. Em 2014, por exemplo, houve um aumento de 8,65%, ou seja, cerca de 3.500 mortes a mais dos dados preliminares com os definitivos. Em 2015, quando feita a correção, o aumento foi de 3,61%, passando de 37.306 para 38.651, um aumento de 3,61%. No entanto, em 2016, o valor voltou a aumentar, chegando a 7,16% de aumento, com uma variação que foi de 34.850 a 37.345 mortes. Em 2017, os números definitivos foram 3,03% mais elevados que os preliminares.

Sendo os acidentes de trânsito um evento complexo e desencadeado por diversos tipos de fatores (comportamentais, de infraestrutura e veiculares), as prováveis causas para a redução da mortalidade verificada nos últimos também estão distribuídas em diferentes áreas, ou seja, há um conjunto de causas. A maior incidência de políticas voltadas para o usuário não motorizado, com o fortalecimento das políticas de planejamento urbano possivelmente contribuíram para a redução do número de mortes de pedestres. As políticas de valorização do transporte ciclo viário, com a implantação de ciclovias e ciclo faixas, incentivaram o aumento do uso desse modo de transporte, o que, por sua vez, aumentou a exposição de ciclistas a acidentes de trânsito, o que talvez explique parte do aumento verificado nas mortes de ciclistas.

Para o diretor-presidente do OBSERVATÓRIO, José Aurelio Ramalho, “outro aspecto que contribuiu foi o maior número de municípios realizando mais fiscalização de álcool e direção, nas Operações de Lei Seca. Houve também a consolidação e expansão de campanhas de conscientização para um trânsito seguro, e, entre elas, destaca-se o Movimento Maio Amarelo, que já se tornou uma ação que envolve toda a sociedade, órgãos públicos e privados em prol de um trânsito mais seguro”, finaliza.

 No caso do transporte por ônibus, a maior disseminação de tecnologias que permitem o controle mais efetivo da velocidade associada a medidas de treinamento e capacitação voltadas aos condutores profissionais certamente contribuíram neste processo. Ações como as citadas, somadas a novas medidas como a obrigatoriedade do farol aceso em rodovias (em vigor desde 2016), novas regras para condução de caminhões (exame toxicológico) e o aumento do valor das multas, também podem ter auxiliado na continuidade de redução de acidentes de trânsito. Medidas tomadas junto a segurança veicular, como a obrigatoriedade do airbag e ABS em veículos novos de fábrica (desde 2014) também podem estar produzindo resultados, pois com a renovação da frota a tendência é que a parcela de veículos com esses dispositivos aumente.

Cenário nos Estados

Levando em consideração os dados preliminares do DataSUS, o maior percentual de redução no número de mortes no trânsito aconteceu em Roraima (-28%), seguido de Rondônia (-23%) e do Amapá (-20%). Já as unidades da federação que mais aumentaram seus números foram Distrito Federal (+6%), Amazonas (+4%) e Mato Grosso (+3%). Veja o gráfico abaixo:

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Cabe uma ressalva em relação às análises estaduais, pois é importante lembrar que os valores podem estar sujeitos ao percentual de informações repassadas pelos Estados ao Ministério da Saúde. Assim sendo, se determinado Estado ainda não consolidou parte de suas informações, ele pode figurar com grandes reduções até então e, posteriormente, ter seus valores aumentados substancialmente após o envio dos dados definitivos ao Ministério da Saúde.

Detalhando essas reduções, é possível fazer algumas análises por modal e por

Estado:

  • Pedestres: Pará (-36%) e Rio Grande do Norte (-26%);
  • Ciclistas: Amazonas (-46%) e Pará (-22%);
  • Motociclistas: Rondônia (-44%) e Rio de Janeiro (-30%);
  • Automóveis: Piauí (-36%) e Tocantins (-35%);
  • Caminhões: Amazonas (-100%) e Piauí (-61%);
  • Ônibus: Mato Grosso do Sul (-100%) e Rio de Janeiro (-91%).

Também foram avaliados os aumentos no período:

  • Pedestres: Amazonas (+22%) e Mato Grosso do Sul (+19%)
  • Ciclista: Paraná (+54%) e Pernambuco (+31%)
  • Motociclistas: Goiás (+10%) e Paraná (+9%)
  • Automóveis: Paraíba (+30%) e Amazonas (+24%)

Os Estados do Acre, de Roraima, do Amapá, de Alagoas e do Espírito Santo não foram considerados nessa análise comparativa de variação do número de mortes por modo de transporte por apresentarem elevado percentual de mortes classificadas na categoria “outros”, que em geral está associada à falta da informação sobre o modo de transporte da vítima de acidente de trânsito. As variações por Estado no número de mortes de ocupantes de caminhões e ônibus também não foi realizada em razão dos números estaduais serem reduzidos.

Não há previsão de quando o Ministério da Saúde irá disponibilizar os dados consolidados de 2018.

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