Entrevista

MORTES DE MOTOCICLISTAS NO TRÂNSITO DA CIDADE DE SÃO PAULO CRESCEM 2,5% EM 2023; NENHUM ÓBITO REGISTRADO NA FAIXA AZUL

CEO do OBSERVATÓRIO comenta esses dados na CBN São Paulo

Escrito por Portal ONSV

16 JAN 2024 - 16H51

O CBN São Paulo de hoje (16), entrevistou o CEO do OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária, Paulo Guimarães, para falar sobre o aumento de óbitos de motociclistas envolvidos em sinistros de trânsito na cidade de São Paulo. Em 2023, houve aumento de 2,5% nas ocorrências fatais, foram registrados 365 óbitos, enquanto que, em 2022, foram 356 mortes de motociclistas. Apesar desse aumento, segundo os dados apurados com a prefeitura de São Paulo, nenhum desses óbitos foram registrados nas Faixas Azuis.

Ainda segundo o levantamento da reportagem, em 2023 foram registradas 830 mortes no trânsito da capital paulista, enquanto que em 2022, foram 752 óbitos, crescimento de 10,3%. A maior causa dessas mortes está relacionada ao atropelamento. Foram 312 em 2023, contra 279, em 2022, aumento de 11,8%. Desses, 80, 24% do total eram homens, 19,52% eram mulheres, e a maioria estava entre a faixa etária de 18 e 24 anos. Do total de mortes, foram 127 nessa faixa etária, o que representa 15,3% do total de vítimas.

O CEO do OBSERVATÓRIO reforçou sobre os diversos fatores que aumentam o risco dos motociclistas, entre eles, a fragilidade do veículo, a imprudência dos motociclistas e a falta de percepção de risco dos demais motoristas.

“O primeiro deles, é a própria fragilidade de um veículo como a motocicleta. Ele se desloca rápido, ele é mais ágil, mas por outro lado, ele é mais vulnerável, ele não tem nenhum tipo de proteção como airbag ou cinto de segurança para proteger aquele motociclista, tanto o piloto quanto o garupa. Um outro desafio, é a própria faixa etária dos usuários desse tipo de veículo. A gente vê o principal grupo de vítimas girando em torno de 18 a 24 anos e nessa faixa etária, ela é um pouco mais fechada às ações educativas. Até por conta da dinâmica do dia a dia, as pessoas estão trabalhando, muitos deles são entregadores e têm uma vida corrida, eles são pouco adeptos a essas campanhas educativas. A gente tem mais dificuldade de levar essa informação de conscientização para eles.”

Paulo Guimarães explicou ainda que, “devido às próprias dimensões da motocicleta, ela só tem a placa de identificação na parte de trás, ela não tem placa dianteira, a própria fiscalização que seria também um complemento à parte educativa, uma forma de, por meio da coerção, você imputar novos comportamentos e direcionar aquelas pessoas, para que não sejam multadas novamente e adotem comportamento seguro, também fica prejudicada, porque a motocicleta apresenta uma dificuldade a mais na sua fiscalização. Então, por isso, no contexto geral, aliado à falta de consciência dos demais motoristas de que os maiores são responsáveis pela segurança dos menores, todos esses ingredientes conjuntos estão gerando esse grande problema de risco à segurança, principalmente dos motociclistas.”

Na capital paulista, a Faixa Azul foi implementada nas Avenidas 23 de maio, no eixo Bandeirantes, Afonso Taunay, existem trechos da Faixa Azul entre as avenidas Prestes Maia e Tiradentes, no corredor Norte-Sul, entre as avenidas Santos Dumont e o viaduto João Julião da Costa Aguiar. Também Na avenida Sumaré e Paulo VI, na avenida das Nações Unidas e na avenida Miguel Iunez, além da Brigadeiro Faria Lima, na Zachi Nachi e na Luis Domunt Vilares.

Relacionado à eficácia da Faixa Azul para a redução de sinistros e mortes no trânsito e a possibilidade de expansão desse projeto na capital paulistana e até em outros locais, o CEO do OBSERVATÓRIO destacou que a esse conceito é similar a uma ciclovia que, “produz resultados excelentes do ponto de vista da segurança, isso foi comprovado, foi uma inovação que a cidade de São Paulo trouxe para outras cidades do Brasil e do mundo inclusive, são formas de dividir o espaço público que estão sendo inclusive exportadas, devido ao sucesso, mas que possui limitações”.

Paulo Guimarães complementou a sua explicação, “a gente não consegue, assim como as ciclovias, proporcionar essa infraestrutura em todo o sistema viário. Então respondendo à sua pergunta, sim, é uma ação interessante, mas ela é limitada a determinadas vias. Então como a gente consegue expandir esse conceito de segurança para vias que não comportam uma infraestrutura dessa? É trabalhando com a conscientização, com o controle de velocidade, um elemento importantíssimo para que a gente consiga melhorar a segurança viária.”

Ouça a entrevista completa (a partir de 41:05):


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