OBSERVATÓRIO | Dê chance aos milagres!
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Dê chance aos milagres!

Dê chance aos milagres!


Dê chance aos milagres!

Sempre que alguém escapa de ser vítima de um acidente de trânsito costumamos ouvir expressões como “foi por Deus” ou “por um milagre”. Analisando a dinâmica dos acidentes graves com sobreviventes ou dos “quase acidentes” é possível concluir que sim, milagres podem existir, mas também podemos contribuir para que vidas sejam salvas no trânsito.

No último dia 11 de dezembro assistimos emocionados ao resgate de um bebê de apenas 20 dias, que saiu ileso das ferragens de um carro que havia sido esmagado por um caminhão desenfreado, em um acidente ocorrido na BR-365 em Montes Claros/MG. O bebê estava sendo transportado adequadamente na cadeirinha de transporte, mais conhecida como bebê-conforto, fixo no banco traseiro pelo cinto de segurança. Não foi milagre, foi prevenção!

Revendo a notícia agora me lembrei de duas situações reais que vivi com minha família e que servem de aprendizado, por isso faço questão de compartilhá-las.

A primeira foi a 7 anos atrás, no nascimento da minha primeira filha. Me lembro que ao sair da maternidade minha esposa estava receosa em colocá-la na cadeirinha pois achava que era muito pequenina e que lhe faltava firmeza para ser transportada daquela forma, sem estar no colo da mãe. Nas palavras dela era “uma judiação”! Logicamente que foi transportada da forma correta desde a primeira vez, e desde então ficou habituada a utilizar a cadeirinha e o cinto de segurança, ou seja, desde que nasceu! Quando não utiliza a cadeirinha, em taxis por exemplo, mesmo utilizando o cinto de segurança é nítido o seu desconforto e a sensação de insegurança que ela transmite.

Essa foi a primeira lição que gostaria de compartilhar, onde aprendemos que as crianças fazem certo quando aprendem certo. Ouvir pais alegarem que tentam manter seus filhos nas cadeirinhas mas eles não param quietos é uma tremenda bobagem e não passa de uma desculpa esfarrapada de quem não tem a mínima consciência dos riscos a que estão expondo seus filhos… de que adianta colocar tela de proteção na sacada do apartamento, se você não protege seu filho no trânsito? Tremendo contrasenso!

A segunda situação aconteceu no último final de semana quando voltava de uma festa de confraternização, já na madrugada de sábado para domingo. Como defensor da causa e principalmente por ser conhecedor dos riscos causados pela mistura Álcool x Direção, não bebo antes de dirigir, mesmo que às vezes isso me custe ser o centro das piadinhas no churrasco. Mas tudo bem, acho melhor rirem de mim do que chorarem por mim!

Já próximo à minha casa passei por um dos principais cruzamentos da cidade, sóbrio, em baixa velocidade e com o sinal verde para mim. Fui surpreendido por um veículo que transitava em alta velocidade e avançou o sinal vermelho na via transversal! A imprudência foi tanta que ele nem ao menos reduziu a velocidade, fez isso no que chamamos de “roleta-russa”.

Minha primeira reação foi frear e realizar uma manobra evasiva para a esquerda. Minha segunda reação foi agradecer a Deus! Logo estava em casa e a cena se repetiu várias vezes na minha cabeça enquanto tentava pegar no sono.

Mais tarde, refletindo sobre o ocorrido me dei conta de que se foi um milagre escaparmos do acidente, eu fui seu operador! Se estivesse desatento poderia não ter percebido a aproximação criminosa do outro veículo. Se estivesse sob efeito do álcool talvez não tivesse reflexos suficientes para realizar a manobra evasiva. Se estivesse em alta velocidade talvez não tivesse controlado o veículo corretamente na frenagem.

Esta foi a segunda lição, a talvez a mais valiosa, que gostaria de compartilhar. Somos responsáveis pelos outros! Precisamos de uma vez por todas entender isso! Como condutores somos responsáveis pelas pessoas que transportamos, e pelas demais pessoas com as quais dividimos a via pública! Isso é viver em sociedade!

Obrigado Deus, por ter me dado a consciência necessária para agir corretamente não bebendo antes de dirigir! Obrigado Deus, por eu não ter que me envolver em um acidente para descobrir o quão importante é a cadeirinha e o cinto de segurança!

Por isso digo que nossa vida não está somente nas mãos de Deus. Não dependemos somente de milagres para permanecemos seguros, temos a nossa parcela de responsabilidade na coisa toda.

Infelizmente ainda existem muitos motoristas irresponsáveis transitando por aí, mas e você, está fazendo a sua parte? De verdade? Pense!

Paulo Guimarães – P&D do Observatório Nacional de Segurança Viária

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos seus autores, não representando portanto a opinião desta organização.

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