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Falta respeito e sobra risco para quem vai a pé pelas ruas

Escrito por Portal ONSV

30 SET 2014 - 16H36

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Foram 339 atropelamentos em 2012 e 125 no primeiro semestre de 2013

Os pedestres ficaram em segundo lugar nas indenizações pagas pelo seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) no primeiro semestre deste ano, de acordo com o boletim estatístico da Seguradora Líder. Do total de indenizações pagas, 19%, correspondente a 66,6 mil vítimas, foram destinadas a quem estava a pé.

Em Ribeirão Preto, a avenida Brasil lidera as ocorrências envolvendo pedestres, segundo o 9º Grupamento de Bombeiros. A Transerp (Empresa de Trânsito e Transporte Urbano de Ribeirão Preto) registrou 339 atropelamentos na cidade toda em 2012 e 125 no primeiro semestre do ano passado.

Leila Bianchi, gerente de educação de trânsito da Transerp, acredita que, para reduzir esses números, deve haver uma mudança de comportamento por parte dos pedestres e motoristas. “O motorista não respeita o pedestre, mas o pedestre também precisa se fazer visto”, adverte.

A educadora aconselha os veículos a pararem antes da faixa de travessia e os pedestres a sinalizarem com a mão a sua intenção de atravessar a pista.

Leila lembra que a probabilidade de um atropelamento ser fatal cresce exponencialmente com a velocidade do veículo. “Mesmo para velocidades muito baixas, a 40 km/h, por exemplo, a probabilidade do pedestre morrer no acidente é de quase 40%”, destaca. Para velocidades de impacto em torno de 70 km/h, esta probabilidade é de quase 100%.

A agente de trânsito Ângela Cardoso Ferreira observa que a velocidade dos veículos e a pressa são as principais causas de atropelamentos.

“Os motoristas confiam mais no freio do que na prudência”, afirma.

Neste ano, a Semana Nacional de Trânsito, comemorada entre os dias 18 e 25 de setembro, foi voltada aos pedestres. O tema “Cidade para as pessoas: Proteção e Prioridade ao Pedestre”, aprovado pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito), foi escolhido com o objetivo de priorizar a circulação dos pedestres em face da estrutura viária historicamente voltada à circulação de veículos automotores.

Vítima da imprudência

Valdir Alves de França, 56, foi atropelado no dia 3 de maio na avenida Eduardo Andréia Matarazzo, no Ipiranga, em Ribeirão.

Por volta das 6h30, um Fiat Stilo invadiu a calçada por onde França caminhava e o atingiu. O motorista, de 29 anos, prestou socorro à vítima. Ele disse que havia trabalhado a noite toda como segurança em uma festa e, por isso, dormiu ao volante.

França foi para a Santa Casa. Ele quebrou o nariz, teve de colocar um pino no pé esquerdo e levou 36 pontos na parte traseira da coxa direita. A vítima passou dois meses de cama e foi submetida a sessões de fisioterapia. “Quando esfria, ainda sinto dor no pé”, conta.

Análise: Cuidado precisa ser redobrado

Todos nós somos pedestres. Mesmo que a gente faça a maior parte do trajeto por outros meios de transporte, um trecho é feito a pé. O pedestre está em uma condição muito frágil. No caso de um acidente, mesmo em velocidade baixa, as sequelas são muito graves. A travessia requer cuidado por parte do pedestre e dos motoristas. O pedestre deve perceber o ambiente à sua volta, verificar se existe faixa de pedestre, semáforo e calçadas estruturadas, observar a velocidade dos carros e motos, iniciar a travessia depois que os veículos pararem e se fazer visível, usando roupas claras à noite, por exemplo. Há a necessidade de ações conjuntas de engenharia, fiscalização e educação. Atividades pontuais trazem resultados pontuais, portanto, é preciso que os municípios implantem políticas públicas de segurança para o pedestre permanentes. À medida que se qualifica a cidade, se qualifica o pedestre. Ele aprende com as experiências diárias.

Roberta Mantovani

Consultora do Observatório Nacional de Segurança Viária

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Fonte: Jornal A Cidade

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