OBSERVATÓRIO | Cresce a mortalidade no trânsito no país em 2014
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Cresce a mortalidade no trânsito no país em 2014

Cresce a mortalidade no trânsito no país em 2014

Dados ainda são preliminares, divulgados pelo DataSus

mortos transito 660

As mortes no trânsito no Brasil cresceram cerca de 2% em 2014 em relação a 2013, saltando de 42.266 para 43.075 nas vias e rodovias do país. Esse número inédito divulgado pelo OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária, nesta sexta, dia 29 de janeiro foi disponibilizado pelo DataSus, durante essa semana. Ainda que o aumento não seja tão expressivo, ele representa uma quebra da expectativa de continuidade de redução no número de mortes apresentada de 2012 para 2013 – quando houve redução de mais de 5%.

Mortes por região:

O aumento foi distribuído em todas as regiões do país, com destaque para a região Sudeste, que apresentou um número de mortes 4,0% maior na comparação 2013-2014, seguido pela região Norte (+1,7%), Centro-Oeste (+1,0%), Nordeste (+0,8%) e a Sul (+0,2%) ficou com praticamente o mesmo número.

Em um ranking nacional, os maiores aumentos foram verificados no Tocantins (+13,3%), Maranhão (+12,4%) e Ceará (+10,9%). Por outro lado, os estados de Sergipe, Espírito Santo e Pernambuco apresentaram as maiores reduções no número de mortes, respectivamente iguais a -20,0%, -9,8% e -7,0%.

Na região Norte, destaca-se o resultado de Rondônia e Roraima, com reduções da ordem de 3%; entretanto, o estado do Tocantins lidera o ranking de aumento, conforme já mencionado. Na região Nordeste, chama-se a atenção para as reduções expressivas ocorridas nos estados de Sergipe – a maior em todo o país – e em Pernambuco e Rio Grande do Norte, ambas em torno dos 7%.

Na região Sudeste, o Espírito Santo foi o único Estado a apresentar queda no número de mortes na comparação com o ano anterior.

Na região Sul, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram resultados favoráveis, porém o aumento ocorrido no estado de Santa Catarina resultou em um cenário desfavorável para a região.

No Centro-Oeste, o estado do Mato Grosso foi o único a apresentar valores mais favoráveis em 2014 – com uma queda de em torno 5%, ao passo que todos os demais estados da região tiveram um aumento do número de mortes no trânsito.

Em relação aos modos de transporte, os resultados mais positivos em termos de segurança viária parecem estar centrados nos pedestres e ciclistas, para os quais o número de mortes resultou 4,5 e 2,6% menor, respectivamente. O aumento mais acentuado foi atribuído aos ocupantes de ônibus, para os quais o número de mortes cresceu 32,4% de 2013 para 2014, seguidos dos ocupantes de motocicletas (+2,3%) e automóveis (+1,3%), sendo que o número de mortes de ocupantes de caminhão permaneceu inalterado.

“Já estamos na segunda metade da Década Mundial de Ações para a Segurança no Trânsito, e como já havíamos alertado na ocasião da divulgação dos resultados de 2013, o Brasil ainda não conseguiu desenvolver ações que indiquem uma tendência de redução no número de vítimas no trânsito”, afirma José Aurélio Ramalho, diretor-presidente do OBSERVATÓRIO.

Isso nos leva a crer que apesar de iniciativas importantes em prol da segurança viária empreendidas no país nos últimos anos (exemplos: lei seca, obrigatoriedade de airbag e ABS nos veículos novos, avanços da política de mobilidade urbana, entre outros) ainda não têm sido suficientes para desencadear uma mudança a curto prazo. Talvez alguns desses efeitos possam ser sentidos no médio ou longo prazo – porém a alternativa não é esperar. O país necessita urgentemente de medidas mais eficazes para combater o elevado número de mortos e feridos no trânsito. Sem apontar solução inovadora, o Brasil simplesmente precisa seguir de forma mais efetiva os pilares preconizados pela própria Organização Mundial da Saúde: vias e mobilidade mais seguras, veículos mais seguros, usuários mais seguros, melhor atendimento às vítimas e gestão da segurança viária.

OBSERVATÓRIO defende propostas para mudança de cenário

Com a missão de ser o catalisador da sociedade, OBSERVATÓRIO vem discutindo com representantes de vários segmentos da sociedade como os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além da iniciativa privada e também entidades não governamentais, uma série de ações a serem implementadas a curto e médio prazo para que tenhamos uma mudança no atual quadro da segurança viária do país. Veja abaixo, o que é consenso entre vários entres, entre eles, Denatran e Ministério das Cidades:

Na área de Fiscalização:

  1. Criar varas especiais para atender e julgar crimes de trânsito com o intuito de combater a impunidade, além de implantar delegacias especiais para tratar somente dos crimes de trânsito e agilizar o atendimento às ocorrências nessa área.
  2. Disseminar as boas práticas já existentes em algumas áreas da Fiscalização e sabidamente aplicáveis em outros Estados ou municípios, através de manuais, ensino à distância ou mesmo Fóruns.
  3. Padronização dos procedimentos da fiscalização para facilitar o trabalho dos profissionais da área, evitando contestação das regras.

Na área de Infraestrutura e Gestão:

  1. Ampliar os esforços para agilizar os processos de municipalização da gestão do trânsito nos municípios.
  2. Padronização dos boletins de ocorrência para a melhoria da coleta de dados.
  3. Integração dos bancos de dados relacionados a acidentes de trânsito.

Na área de Segurança Veicular:

  1. Implantação da vistoria veicular periódica, conforme já prevê o CTB e baseada na experiência exitosa do Estado do Rio de Janeiro nessa área, garantindo assim o tráfego de carros e motos em bom estado de conservação.
  2. Implantação de políticas ou programas de incentivo ao uso seguro de motos, abordando todos os itens que contribuam para a segurança do piloto e garupa.
  3. Incentivar políticas (técnicas/fiscais) que estimulam a introdução e aquisição de equipamentos de segurança e seus condutores

Na área da Saúde:

  1. Definição de uma política de investimentos, para o atendimento exclusivo dos acidentados do trânsito.
  2. Consolidar o serviço de atendimento móvel (SAMU) em todo território nacional
  3. Trabalhar na reinserção das vítimas com sequelas permanentes ao mercado de trabalho, agindo para que o indivíduo continue produzindo e seja independente

Na área da Educação:

  1. Implantar a Educação para o Trânsito nas escolas públicas e privadas do 1º ao 9º ano, conforme previsto no CTB.
  2. Consolidar o processo de mudança na formação de novos condutores no Brasil, com o envolvimento dos Detrans, CFCs e Instrutores.
  3. Elaborar campanhas permanentes de educação com foco na formação da percepção de risco que o trânsito apresenta.

 

Veja aqui os números do trânsito em 2014:

O jornal Folha de São Paulo divulgou os números. Confira!

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