OBSERVATÓRIO | Violência no trânsito mata tanto quanto a violência pública
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Violência no trânsito mata tanto quanto a violência pública

Violência no trânsito mata tanto quanto a violência pública

Quinze estados brasileiros estão acima da média brasileira e matam mais no trânsito. Entre eles estão Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A cada 10 minutos uma pessoa morre vítima de violência pública no Brasil, ou seja, 6 mortes por hora. Esse número praticamente se iguala quando se trata de acidentes de trânsito: a cada 12 minutos uma pessoa morre vítima da violência no trânsito, ou seja, 5 mortes a cada hora, conforme levantamento feito pelo OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária.

De acordo com o estudo, o número de mortes causadas por armas de fogo, objetos cortantes e agressões em geral, nos últimos cinco anos em todo Brasil (de 2011 a 2015, ano mais recente com disponibilidade de estatísticas consolidadas), vitimou fatalmente cerca de 260 mil pessoas no país. No mesmo período considerado pelo levantamento, foram registradas cerca de 210 mil mortes em acidentes de trânsito, o que corresponde a cinco mortes por hora, ou uma morte a cada 12 minutos. “Como podemos observar, o trânsito produz praticamente a mesma quantidade de vítimas/hora que a violência por agressões no Brasil”, destaca o diretor-presidente do OBSERVATÓRIO, José Aurelio Ramalho.

Mapa da violência pública e no trânsito

No estudo realizado pelo OBSERVATÓRIO, cujas fontes são o Ministério da Saúde (mortes), IBGE (população) e Denatran (frota), os estados que apresentam piores índices de mortalidade por violência são, de maneira geral, também aqueles que apresentam os piores índices de mortalidade no trânsito –portanto, ambas questões sociais.

Segundo a literatura especializada, a taxa de mortes por 100 mil habitantes é um indicador apropriado para medir o nível de segurança pública e a taxa de mortes por 100 mil veículos um indicador apropriado para medir o nível de segurança no trânsito. Baseado nisso, Alagoas é o estado do Nordeste que desponta com índices negativos tanto para a violência pública quanto para a violência no trânsito. Enquanto o Brasil tem, em média, 129 mortes por violência pública por 100 mil habitantes, Alagoas tem 305 mortes por 100 mil habitantes. No caso da violência no trânsito, a média no Brasil é de 234 mortes por 100 mil veículos e Alagoas contabiliza 568 mortes por 100 mil veículos.

Violência x população e frota

VIOLÊNCIA PÚBLICA: No estudo traçado pelo OBSERVATÓRIO, dos 26 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, 18 estados superam a média nacional em violência pública a cada 100 mil habitantes. No ranking dos que mais matam por violência pública estão: Alagoas, Ceará, Sergipe, Pará, Espírito Santo, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia.VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO: Já no quesito violência no trânsito, considerando como índice de avaliação as mortes por 100 mil veículos, 20 estados brasileiros estão acima da média brasileira e matam mais: Piauí, Alagoas, Maranhão, Sergipe, Pará, Tocantins, Paraíba, Ceará, Roraima e Bahia.

Ainda no levantamento de dados para a violência no trânsito, considerando como índice de comparação as mortes por 100 mil habitantes, 16 estados brasileiros estão acima da média de mortes causadas no trânsito.   No ranking dos que mais matam por violência no trânsito estão: Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Roraima, Paraná, Espírito Santo e Sergipe.

Observação: Veja as informações nos gráficos e tabelas clicando neles para ampliar.

Solução adiada

O OBSERVATÓRIO relembra que, em março de 2013, o então presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, avaliaram as prioridades legislativas e anunciaram a formação de uma comissão geral para discutir projetos relacionados à segurança pública e ao combate à violência no trânsito.

O presidente da Câmara anunciou a criação de uma comissão especial para discutir o financiamento da saúde pública. Segundo o presidente da Câmara, à época, as propostas discutidas na comissão geral poderiam ser votadas em Plenário na semana seguinte, quando disse que a segurança e violência no trânsito eram temas recorrentes, que se agravam a cada momento, “e esta Casa precisa ser protagonista na busca dos debates e das soluções”, disse Alves. José Eduardo Cardozo enfatizou que a comissão geral agilizaria a votação dos projetos em que houvesse consenso para agilizar a aprovação destes, o que, na época foi classificado pelo ministro de “muito importante para nós”.

Violência é problema socioeconômico

Para o OBSERVATÓRIO é sabido que a questão da violência pública envolve e depende da solução de problemas socioeconômicos estruturais como, por exemplo, o desemprego, a desigualdade social, policiamento, penalidades, presídios, educação de qualidade, fiscalização das fronteiras, etc. Ou seja, qualquer ação que for realizada deve ser multifacetada e requer grande investimento e, quando implementada, deve ser muito bem “orquestrada” para então termos resultados efetivos. Além disso, os resultados de todos esses esforços e investimentos são colhidos no médio e longo prazo, ou seja, será para as gerações que virão.

“Já a questão da violência no trânsito depende, sobretudo, da conscientização e consequente mudança de comportamento da sociedade em seus vários papéis que desempenha, seja como pedestre, ciclista, motociclista ou motorista. Ou seja, o investimento é infinitamente menor e focado em programas/campanhas efetivas de conscientização”, explica Ramalho.

Solução é investimento em educação

O OBSERVATÓRIO ratifica a necessidade de investir num programa estruturado de campanhas de educação para o trânsito para todo o país, de acordo com as ocorrências levantadas em cada região, sendo que as ações deverão ser reforçadas chamando a responsabilidade para a sociedade, uma vez que não dependerá de recursos, vacinas, governo, etc. e, sim, da atitude de cada um.

“As ações serão no sentido que cada cidadão abrace a causa e se comprometa em conhecer e respeitar as leis de trânsito pelo bem de todos. Com essa mudança, que depende somente de cada um de nós, será possível observar resultados mais significativos a curto prazo, sem grandes investimentos, e com retorno financeiro e social para todos”, diz o observador.

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