OBSERVATÓRIO | Só podia ser mulher para fazer a diferença no trânsito
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Só podia ser mulher para fazer a diferença no trânsito

Só podia ser mulher para fazer a diferença no trânsito

Tidas como mais atentas e cuidadosas, elas têm maior percepção de riscos e se envolvem menos em situações de perigo

“Ô dona Maria”. “Só podia ser mulher”.  Frases como estas ainda demonstram o preconceito que mulheres condutoras de veículos têm de enfrentar a cada dia nas vias brasileiras.

Apesar disso, a participação delas no trânsito tem crescido, ao ponto de em 2014 o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito) ter divulgado a existência de 20 milhões de mulheres habilitadas no país.

Mais atentas e cuidadosas, indicam comportamento que proporciona melhor  percepção dos riscos e capacidade de se envolver menos em situações de perigo. Integram, portanto, o grupo com menor índice de mortes em acidentes de trânsito, segundo análise feita pelo OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária tendo como base dados do DataSUS relativos ao ano de 2014, a cada 10 vítimas fatais no trânsito praticamente 8 são homens e 2 são mulheres.

Quando a estatística leva em conta as indenizações do DPVAT relacionadas aos acidentes, o apurado, para o ano de 2015, é que das 595.693 indenizações permanentes 74% foram para homens e apenas 26% para mulheres.

Embora ainda sejam obrigadas a ouvir frases machistas e preconceituosas enquanto dirigem, o fato é que a capacidade de se envolver menos em acidentes graves é real e comprovada por diversas pesquisas efetuadas não apenas no Brasil como em vários países do mundo.

E para justificar esse fato, além da maior percepção de risco, atenção e calma, algumas outras explicações são tentadas. Uma delas dá conta de que mulheres ficam ao volante menos tempo que os homens e que, por consequência, estão menos expostas aos riscos. Outras, de que o fato de mulheres ingerirem menor quantidade de álcool que os homens contribui para que eles liderem o ranking dos acidentes.

Seja qual for a explicação real, as mulheres conquistam a cada dia mais espaço no mercado de trabalho, nas vias e rodovias e em tantos outros segmentos. Tendo de lidar com o preconceito (e em grande parte das vezes lutando contra ele) elas são hoje taxistas, caminhoneiras, conduzem veículos de emergência, entre outras, e as estatísticas ainda as apontam como distantes do pódio no ranking dos acidentes de trânsito.

Embora seja atualmente considerado até mesmo como dia festivo, o Dia Internacional da Mulher surgiu de um momento de luta. Em 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, de Nova York, em greve, ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas diárias), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas.

Foi somente em 1910,  porém, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem àquelas tecelãs. Mas apenas em 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

 

 

 

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