OBSERVATÓRIO | Soluções simples podem reduzir mortes no trânsito
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Soluções simples podem reduzir mortes no trânsito

Soluções simples podem reduzir mortes no trânsito

Afirmação é do piloto de testes, César Urhani, durante palestra na abertura oficial do Maio Amarelo, em Paulínia. Evento reuniu cerca de 1,2 mi pessoas no Theatro Municipal “Paulo Gracindo”

Com seu Theatro Municipal tomado por cerca de 1,2 mil participantes, Paulínia abriu oficialmente nesta segunda-feira, 9 de maio, as ações do “Maio Amarelo: #EUSOU+1 por um trânsito mais humano”.  O evento contou com a presença do prefeito José Pavan Júnior, dos secretários  Fábio Feldman e  José Valentim Krepsk, de Segurança Pública e de Transportes, respectivamente; do capitão da Polícia Militar, Rafael Cambuí Mesquita Santos;  do diretor-presidente do OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária (ONSV) José Aurelio Ramalho e do piloto de testes do programa Auto Esporte, da tevê Globo, e colunista da CBN, César Urnhani, além de outras autoridades do município.

A abertura se deu com a palestra “O impacto do acidente de trânsito na vida do cidadão”, proferida por César Urnhani, que, para destacar os efeitos negativos dos acidentes, usou como exemplo o sofrimento de uma mãe que perdeu seu filho vítima de um acidente. “Ontem foi o Dia das Mães.  E, ao lembrar disso, temos de lembrar das 43 mil mães que perderam filhos em decorrência de acidentes e que, no Dia das Mães, não receberam o beijo carinhoso que esperavam receber”, destacou.

“Foi o dia em que muitas delas ficaram olhando para a porta aguardando um filho que não vai mais chegar. Que ficaram olhando foto do filho que perdeu a vida num acidente”, disse, destacando que no dia anterior conversou com uma mãe em situação semelhante. E ela, inconformada, ressaltou Urnhani, lembrava que seu menino sonhava em estudar Engenharia e afirmava que seria o protetor de seus pais quando eles envelhecessem.

O menino, contou Urnhani, foi vitima de um acidente por estar sem cinto de segurança no banco traseiro do carro de um amigo. “E durante a conversa com essa mãe, me comprometi junto a ela a manter a chama de seu filho acesa no sentido de continuar militando pela causa da redução do número de acidentes e mortes no trânsito, como a proposta pelo Maio Amarelo. Como uma espécie de chama da esperança para que outras mães não passem pelo que ela passou”, disse comovido o piloto.

O piloto, ao destacar as 43 mil mortes em acidentes fatais ocorridas no Brasil em 2014 (último dado disponível), ressaltou que o trânsito brasileiro mata mais que epidemias como a de dengue, por exemplo. “Para atingir número de mortes semelhantes às do trânsito, seriam necessários 150 anos de epidemias de dengue”, destacou, lembrando, também, que, por exemplo, as chances de morte por H1N1, são acentuadamente menores do que em acidentes nas vias e rodovias.

Para reverter estes dados, explica Urnhani, nem são necessárias ações complexas ou mirabolantes:  basta apenas simplicidade. “Com simplicidade se obtém melhores resultados. Primeiramente, temos de contribuir para um trânsito gentil, com ações simples como parar na faixa, respeitar o pedestre, o ciclista, por exemplo. Temos de experimentar a sensação de fazer o bem, e a cortesia, que ajuda muito”, ponderou.

Ao conduzir um veículo de forma inadequada, segundo o piloto, o motorista pode até enganar as leis dos homens, mas jamais enganará as leis da Física, uma vez que, no caso do excesso de velocidade, por exemplo, a desaceleração no momento em que o condutor pisa no freio, não é proporcional, e sim exponencial. “Levando em conta um veículo que pese 1,2 tonelada  e trafega a 50km/h, só para exemplificar, ao se chocar com uma barreira fixa, o impacto será de 50 toneladas”, explicou. Durante sua palestra, Urnhani apresentou vídeos  para que as mensagens orais pudessem ter também o apelo visual no sentido de que os presentes pudessem assimilar melhor o teor de sua fala.

A educação no trânsito foi destacada  por ele como um das formas importantes para que o grave quadro de acidentes se reduza no Brasil. “Costumamos dizer que na vida a gente aprende de duas formas: pelo amor, ou pela dor. Portanto, é melhor que cuidemos para aprender apenas pelo amor”, disse, lembrando que não é necessário, por exemplo, a presença  de um guarda, ou de um radar, próximo a um semáforo para que se saiba que se o farol estiver vermelho, não se deve cruzar a via.

Sobre as 43 mil mortes no trânsito, o piloto lembrou que este número corresponde ao da queda de um avião por dia no país. “Devemos lembrar também o número de pessoas que têm de ser hospitalizadas e das que ficam com sequelas permanentes depois dos acidentes, lembrando que quem contribui para este número de mortes não são apenas os motoristas que dirigem em alta velocidade, mas também aqueles que, colocando 5 quilômetros a mais na velocidade em que trafega, não para em faixas de pedestre, que não usa cinto de segurança no banco de traseiro, entre outros”, disse.

Destacando o ‘prazer imenso’ em abrir o Maio Amarelo em Paulínia, Urnhani, ressaltou que o município está próximo de se tornar a primeira cidade brasileira a atingir o índice de acidentes preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de 8 para cada 100 mil habitantes. “Mas o que devemos buscar é que o índice de mortos seja de zero”, salientou.

Durante a abertura oficial do Maio Amarelo em Paulínia, servidores da Secretaria Municipal de Segurança distribuíram aos participantes laços amarelos  – símbolo do movimento -, além de bafômetros descartáveis. Entre os participantes estavam novos alunos da Guarda Municipal, integrantes da corporação que já atuam no município e que são responsáveis também pela fiscalização do trânsito, alunos da rede municipal, autoridades e moradores da cidade. O diretor-presidente do ONSV, José Aurelio Ramalho e o piloto César Urnhani receberam do secretário de Segurança, Fábio Feldman, uma placa em agradecimento pelo apoio ao evento.

O Maio Amarelo em Paulínia, a partir das 8h do dia 21, toma as principais ruas e avenidas da cidade com uma caminhada de 4 quilômetros e uma corrida de 10 quilômetros por um trânsito mais humano. A caminhada sai do Posto FIC, no bairro Bela Vista, com chegada no Parque Zeca Malavazzi. E a corrida sairá da praça do bairro São José. As inscrições podem ser feitas pelo site www.paulinia.sp.gov.br . Para participar o interessado deve doar um agasalho para o Fundo de Solidariedade do Município. As atividades foram organizadas pela Secretaria de Segurança Pública do município e contam com o apoio do ONSV, criador do movimento Maio Amarelo.

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