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SISTEMA PARA PROTEÇÃO DE MOTOCICLISTA - SPM

A evolução dos sistemas de contenção viária em prol da segurança dos usuários das vias e rodovias

Escrito por Portal ONSV

24 AGO 2023 - 19H07 (Atualizada em 05 SET 2023 - 10H52)

Quando o assunto é mobilidade, certamente a pensamos em trânsito e nos veículos motorizados como, carros, ônibus e caminhões, e não estamos errados, pois “mobilidade” deriva do latim, mobilitas, que por sua vez deriva de mobilis, que significa móvel (que pode se mover), porém o trânsito tem interação com outros modos de transporte, que estão mais expostos ao risco, são eles motociclistas e ciclistas, também os pedestres, por tanto quando abordamos o tema “mobilidade”, incluir todos os envolvidos no sistema é um fator preponderante.

Avaliando o fator exposição ao risco, na comparação entre os diferentes modos de transporte e a composição de tráfego, devemos levar em consideração as diferentes taxas associadas a energia cinética entre veículos motorizados, ciclistas e pedestres. Os usuários com alta exposição ao risco, são os motociclistas, seguido pelos ciclistas e pedestres, devido a exposição ao risco e a alta probabilidade de sofrer maior consequência de trauma no caso de um sinistro. Na sequência são os ocupantes de automóveis e, por último, ocupantes de ônibus e de caminhões [1].

Mesmo conhecendo e analisando os diversos fatores de risco, obter um modelo capaz de prever todas as probabilidades ainda é impossível, também é importante destacar, que devido aos diversos fatores que contribuem para a ocorrência de um sinistro de trânsito, a chance de êxito em um modelo estatístico é alta.

Reduzir a interação do usuário com o trânsito, ainda é a melhor forma de eliminar o risco e reduzir as taxas de sinistros, mas não é uma tarefa fácil e tão pouco viável, pois as pessoas necessitam “ir e vir”. E não podemos nos esquecer das pessoas que exercem a atividade de entrega rápida, que todos os dias interagem de forma ativa com o trânsito.

O Observatório Nacional de Segurança Viária publicou o “Cenário da Mortalidade de Motociclistas no Brasil”, um importante estudo que descreve um cenário dos sinistros envolvendo motociclistas no trânsito brasileiro por meio de indicadores disponíveis em fontes oficiais.

Segundo dados da ferramenta SOMA do Observatório Nacional de Segurança Viária - ONSV, o Ministério da Saúde via DATASUS, em 2019 registrou 31.945 óbitos decorrentes de sinistros de trânsito, os motociclistas representam 35,1% do total de vidas perdidas para o trânsito, totalizando 11.214 pessoas [2].



O estudo do Observatório aponta que os custos estimados dos sinistros com motociclistas no país totalizam R$ 19 bilhões cerca de 5 vezes o que se arrecada em impostos com as vendas de motocicletas.

As motocicletas podem desenvolver velocidades mais elevadas para o nível de proteção a qual são projetadas, a facilidade na execução de manobras em mudança de faixa de rolamento e trafegar entre os veículos maiores, e ainda outro fator como perda de estabilidade lateral que pode levar à queda ou desvios de trajetória.

Analisando os dados de sinistros envolvendo motociclistas, conclui-se que, contramedidas para garantir um nível de segurança apropriado e mitigar as consequências do trauma são necessárias e a responsabilidade é compartilhada entre usuários e Estado. Cabe ao usuário, respeitar as leis de trânsito, realizar manutenção do veículo e durante a pilotagem utilizar capacete e roupa adequada. Ao Estado cabe fiscalizar e prover vias e rodovias consideradas seguras.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, por meio do Comitê Brasileiro de Transporte e Tráfego - ABNT/CB-016, publicou em dezembro de 2022, a primeira Norma Técnica das Américas que estabelece os critérios de aceitação e as diretrizes de aplicação de Sistemas para Proteção de Motociclistas – SPM. A Norma Técnica ABNT NBR 17084:2022 [3], foi elaborada considerando os principais padrões internacionais utilizados na Europa.

Segundo o relatório Road Safety and Road Restraint Systems - A flexible and cost-effective solution, publicado em 2015 pela European Union Road Federation - ERF, fabricantes de Sistema de Contenção Rodoviária, por mais de 20 anos, investiram e realizaram pesquisas para desenvolvimento de produtos dedicados para aumentar a segurança também dos motociclistas, e desde 2008, O CEN (Comitê Europeu de Normalização) e seus membros trabalharam em um padrão europeu para o teste desses produtos. Em 2012 foi publicado o padrão técnico TS 1317 parte 8, que posteriormente foi substituído em 2019 pela CEN/TS 17342 [4].

O SPM é instalado na parte inferior do dispositivo de contenção longitudinal (defensa metálica) e tem como objetivo absorver parte da energia do impacto e mitigar os efeitos do impacto de um motociclista contra o perfil metálico de uma defensa metálica. O SPM é um sistema ensaiado em laboratório que reproduz as condições reais de um sinistro, de modo a medir as taxas do impacto no corpo humano, um boneco “dummy” de 80 kg com sensores instalados é projetado a uma velocidade de 60 km/h na direção do SPM. Durante o ensaio o SPM não pode produzir intrusão, quebra, desmembramento ou corte no dummy, não pode ocorrer lacerações no corpo do dummy, não é permitido qualquer parte do corpo do dummy, com exceção da sua mão, ultrapasse o SPM, também não é aceitável qualquer tipo de enganchamento do dummy, e para ser considerado seguro, o SPM deve ser capaz de conter o dummy com taxas de desaceleração consideradas seguras para o corpo humano [3].

Escrito por: Bruno Benites, Observador Certificado Turma 5

Núcleo: NÚCLEO SEG VIÁRIA e MBLD do ONSV

[1] – MANUAL DE SEGURANÇA VIÁRIA DER/SP, CAPÍTULO 04-FATORES DE RISCO E FATORES CONTRIBUINTES PARA OS ACIDENTES

[2] – CENARIO DA MORTALIDADE DE MOTOCICLISTAS NO BRASIL, disponível em: https://www.onsv.org.br/estudos-pesquisas/estudos-e-pesquisas

[3] – ABNT NBR 17084:22, Dispositivos auxiliares — Sistemas de proteção para motociclistas (SPM)

[4] – CEN/TS 17342, Road restraint systems – Motorcycle road restraint systems which reduce the impact severity of motorcyclist collisions with safety barriers




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