OBSERVATÓRIO | Idosos são os que mais morrem em atropelamentos no Brasil
19789
post-template-default,single,single-post,postid-19789,single-format-standard,ajax_fade,page_not_loaded,,hide_top_bar_on_mobile_header,qode-theme-ver-10.1.1,wpb-js-composer js-comp-ver-5.0.1,vc_responsive

Idosos são os que mais morrem em atropelamentos no Brasil

Idosos são os que mais morrem em atropelamentos no Brasil

É necessário melhorar as políticas públicas que garantam segurança nos deslocamentos para quem tem mais de 60 anos

Primeiro de outubro é marcado pelo Dia do Idoso. A data motivou o OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária, por meio da parceria mantida com a Divisão de Engenharia de Transportes e Mobilidade da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a uma análise quanto ao crescimento da população a partir de sessenta anos no Brasil e qual o impacto nos acidentes de trânsito. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2060 o percentual de pessoas com mais de 65 anos passará dos atuais 9,2% para 25,5% da população.

Por se deslocarem com mais frequência a pé, os idosos estão mais expostos, e consequentemente, são as maiores vítimas fatais como pedestres, representando 36% do total de atropelamentos registrados no país.  Entre os idosos, os ciclistas representam 28% dos óbitos, seguido dos condutores de veículos (16%) e motociclistas (6%), segundo dados compilados no estudo, cuja origem dos dados são do sistema Datasus.

Maior gravidade nos atropelamentos

Quando vítimas de um acidente por atropelamento, os idosos também estão mais sujeitos a lesões de maior gravidade, que podem levar a grandes períodos de internação hospitalar e lesões permanentes e imobilizadoras. Associados a outras doenças pré-existentes e por conta da vulnerabilidade devido à idade, os acidentes de trânsito acabam por representar um fator agravante aos efeitos colaterais em doenças estabelecidas anteriormente ao acidente, além de potencializar uma série de outras que não existiam, aumentando a assistência do estado e da família à vítima e a redução do período de vida, tanto de homens quanto de mulheres.

“Em vista dessa realidade, se faz necessária uma avaliação das políticas existentes e dos riscos associados a essa parcela da sociedade. É necessário que o poder público, junto com a sociedade, busque compreender as necessidades específicas que esse público tem em relação a população mais jovem. A partir de então, é possível traçar estratégias e políticas que no futuro venham a contribuir para a construção de uma sociedade acessível a todas as parcelas da população, principalmente as que demandam atenção mais especial”, explica o professor doutor Jorge Tiago Bastos, da UFPR e coordenador do estudo.

Estados mais inseguros para os idosos

A taxa total de óbitos por acidente de trânsito no Brasil em 100 mil habitantes (incluindo todas as faixas etárias) foi de 18,12 em 2016. Já a taxa nacional de óbitos entre os idosos, em 100 mil habitantes, foi 35% maior no país, ou seja, de 24,60/ 100 mil habitantes, no mesmo período analisado. Isso reforça que o risco de morte no trânsito entre os idosos é maior do que para o restante da população e deve ser observado.

Vale destacar ainda que muitos estados brasileiros apresentam valores muito acima da média – atingindo uma taxa de mais de 70 mortes por 100 mil habitantes idosos, conforme demonstra o gráfico abaixo.

Taxa de óbitos no trânsito por 100 mil habitantes idosos (60 anos ou mais) por estado. Dados compilados pelo OBSERVATÓRIO

 

Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins são os estados brasileiros que apresentam pior desempenho na garantia de segurança nos deslocamentos da população idosa, com índices de 40 a 76 mortes por 100 mil habitantes.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão, Pará, Rondônia, Amazonas e Acre vem em um bloco intermediário, mais extremamente alto, com índices de 20 a 40 mortes de idosos em acidentes de trânsito por 100 mil habitantes.

Já Amapá, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo são os estados mais seguros para os idosos no que se refere à mobilidade urbana, com índices de 16 a 20 mortes de idosos em acidentes de trânsito por 100 mil habitantes.

Em um recorte mais detalhado para a população de 80 anos ou mais, apenas para o ano de 2016, foram mais de mil mortes no trânsito nessa faixa etária. É lamentável um indivíduo chegar aos 80 anos, o que pressupõe uma boa condição de saúde, e morrer de acidente de trânsito, uma causa externa evitável.

 

Políticas públicas necessárias

Para José Aurelio Ramalho, diretor-presidente do OBSERVATÓRIO, é necessário olhar para o envelhecimento da população brasileira a fim de garantir o direito de ir e vir com segurança. “A mudança no tempo de trabalho da população ativa, por meio da Reforma da Previdência também impactará nos números de acidentes de trânsito com idosos. É conveniente pontuar, sob a ótica da segurança viária, que tal mudança aumenta a exposição da população aos acidentes de trânsito, visto que essa parcela estaria mais representada diariamente no sistema viário nas viagens casa-trabalho-casa”, destaca Ramalho

Para promover e garantir a segurança nos deslocamentos dos idosos, algumas políticas públicas podem contribuir para garantir mais segurança aos idosos em seus deslocamentos:

  • Monitorar, avaliar e planejar políticas já existentes, como calçadas em melhores condições, tempo de semáforos adequados à mobilidade do idoso e, a partir disso, buscar enfrentar os problemas diagnosticados;
  • Melhorar o processo de habilitação para conduzir, tornando-o mais exigente em quesitos como travessia de pedestres e cuidados com a mobilidade coletiva;
  • Melhorar a oferta dos modos de transporte não motorizados, garantindo segurança nos deslocamentos dos modos ativos, pensando que esses modos também têm impactos positivos na saúde da pessoa idosa;
  • Melhorar a oferta de transporte público, para que o idoso tenha a opção de realizar suas viagens como passageiro, garantindo assim sua independência em relação à mobilidade

“É preciso então, conforme estabelecido no Estatuto do Idoso, garantir o envelhecimento com qualidade de vida e independência, sendo este um direito personalíssimo, e a sua proteção um direito social. É obrigação do Estado, assim como da sociedade, garantir à pessoa idosa a proteção à vida e à saúde, mediante efetivação de políticas sociais públicas que permitam um envelhecimento saudável e em condições de dignidade” completa Ramalho.

Sem comentários

Escreva um comentário