OBSERVATÓRIO | Um gol a favor de um trânsito seguro no país
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Um gol a favor de um trânsito seguro no país

Um gol a favor de um trânsito seguro no país


Um gol a favor de um trânsito seguro no país

Há anos, o OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária vem discutindo a necessidade da melhoria na formação do condutor em todo país, de responsabilidade de todo o Sistema Nacional de Trânsito. Mas um, dentre outros temas de responsabilidade dos Detrans (Departamentos Estaduais de Trânsito) em que é possível analisar a fragilidade da formação do condutor brasileiro, é a questão da elaboração das provas teóricas aplicadas ao candidato. Atualmente, essas provas estão longe de auxiliarem no desenvolvimento de uma cultura de segurança viária nesse futuro motorista ou motociclista. A certeza disso é que as avaliações mais parecem uma formação de Agentes de Trânsito (fiscais), uma vez que grande parte das perguntas é focada em aspectos legais e administrativos do que, efetivamente, no verdadeiro conhecimento do risco de dirigir.

Como exemplo, podemos citar perguntas clássicas onde o candidato tem a única obrigação de memorizar o significado de placas de transito, como a A-1b “curva acentuada à direita”, ou a A-3b “pista sinuosa a direita”, ou, ainda, a A-4A “curva acentuada em ‘S’ à esquerda”; em vez de estimular o raciocínio logico daquele candidato, em conjunto com as lições tomadas nas autoescolas, para interpretá-las, aliando a sua interpretação à necessidade ou não de alguma atitude de segurança, no caso de alguma delas estar, na verdade, alertando sobre algum risco aparente que deva ser minimizado pelo condutor.

O mesmo é possível dizer sobre os ensinamentos quanto ao risco do uso do celular ao volante. Ao testar o conhecimento do candidato sobre o uso do celular e/ou outros dispositivos de distração enquanto o mesmo está dirigindo, as provas teóricas exigem apenas o conhecimento do aluno no que tange às penalidades eventualmente aplicáveis em caso de fiscalização (multa e pontuação). O ideal, mais uma vez, é estimular o raciocínio do candidato ao exigir do mesmo uma resposta sobre os reais riscos do uso do celular e outros aparelhos de distração dentro dos carros, não só para terceiros, mas para ele próprio e para os seus acompanhantes. Dessa forma, não há dúvidas que se estaria formando um condutor atento e prudente e, não assumindo um ato meramente formal ao permitir que o candidato cumpra as etapas do processo de obtenção da permissão de dirigir sem maiores desafios.

Assim, atento para a realidade brasileira, o OBSERVATÓRIO vem promovendo discussões e apresentando sugestões de mudanças no processo como um todo, desde o primeiro contato do candidato à permissão para dirigir com os CFCs (Curso de Formação do Condutor), até a sua reciclagem, no caso de perda dessa permissão, de forma a alcançar, junto com outras medidas, o aprimoramento da segurança viária nas ruas do nosso país.

Há muito o que melhorar, o trabalho é árduo, mas o Observatório não pode deixar de celebrar, como uma vitória da sociedade, o último anúncio feito pelo Detran-SP, órgão executivo de transito com a maior demanda mensal de alunos e expedição de CNH (Carteira Nacional de Habilitação) desse país, em relação às mudanças nas provas que serão aplicadas aos futuros motoristas e motociclistas. Ufa! Enfim, uma atitude que parece pequena, ou meramente burocrática, mas, na verdade, em vista de seu caráter didático, se conduzida de forma coerente, poderá ter influência positiva no comprometimento do candidato e na obrigação das autoescolas aprimorarem as aulas e os temas nelas abordados, assumindo a posição de estabelecimento de aprendizagem que lhe cabe, já que o resultado de seus alunos poderá refletir diretamente na sua permanência no mercado. Pode ser o início de uma grande transformação.

Segundo declaração recente do próprio diretor-presidente do Detran de São Paulo, Daniel Annenberg, “as perguntas são muito subjetivas e não levam o candidato a compreender o significado das placas de sinalização. Isso faz com que as pessoas simplesmente decorem as respostas. Mais do que saber o nome das placas, é mais importante saber o que fazer diante delas” (http://www.segs.com.br/blog-noticias/alpha-categoria-veiculos.html). Isso demonstra que as análises e propostas apresentadas pelo OBSERVATÓRIO estão sendo ouvidas, motivando a continuidade e persistência deste trabalho.

Parabéns Detran-SP.

Sabrina Sacco

Diretora de Relações Institucionais

OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária

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