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Dados oficiais do Ministério da Saúde revelam queda de mortes no trânsito em 2016

Escrito por Portal ONSV

18 JUL 2018 - 13H31

Região Sudeste registrou a maior redução e a região Sul, a menor

 

O número de mortes em acidentes de trânsito no Brasil registrou redução geral de 3%, passando de 38.651 em 2015 para 37.345 em 2016. A comparação, feita pelo OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança, tem como base dados sobre as vítimas fatais nas vias e nas rodovias do país no ano de 2016, divulgados pelo DataSUS, do Ministério da Saúde.

A redução, conforme apurou a análise, ocorreu em todas as regiões do país. No entanto, aquela que apresentou maior redução foi a Sudeste (-5%). Na sequência têm-se as regiões Centro-Oeste (-4%), Nordeste (-3%), Norte (-2%) e Sul (-1%). Apesar de o número de mortes ter reduzido em comparação com o ano de 2015, ainda é um resultado tímido, principalmente com relação à expectativa de alcançar a meta estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) – de reduzir pela metade o número previsto de mortes para 2020.

O estudo demonstrou também como aspecto positivo o fato de a queda do número de fatalidades ter sido distribuída, em sua maioria, entre todos os modos de transporte. A maior redução se deu em relação a acidentes envolvendo ocupantes de ônibus que, segundo os dados do DataSUS, registraram queda de 23% quando comparado aos números de 2015. Na sequência constam os acidentes fatais envolvendo pedestres (-12%) e ciclistas (-4%), indicando uma provável melhoria na segurança dos usuários não motorizados.  Em termos de representatividade no total de mortes, em 2016 os motociclistas foram as principais vítimas (32%), seguidos pelos ocupantes de automóveis (24%) – que juntos totalizam mais da metade do número de óbitos. A participação dos modos nos anos de 2015 e 2016 pode ser analisada a partir dos gráficos da Figura 1 a seguir, de modo que se pode observar que não houve mudanças significativas na distribuição das mortes por modo de transporte.[vc_separator type="transparent"][vc_row_inner row_type="row" type="full_width" text_align="left" css_animation=""][vc_column_inner width="1/2"][vc_single_image image="19085" img_size="full" qode_css_animation=""][/vc_column_inner][vc_column_inner width="1/2"][vc_single_image image="19086" img_size="full" qode_css_animation=""][/vc_column_inner][/vc_row_inner][vc_column_text]Figura 1 - Mortes em acidentes de trânsito por modo de transporte da vítima em 2015 (à direita) e 2016 (à esquerda)

Ao analisar os registros do número de mortes no trânsito desde 2011 – início da Década Mundial de Ação pela Segurança Viária – até o ano de 2016, é possível observar uma redução geral de 15% no número de mortes no trânsito. Tal redução representa cerca de 50% da meta estabelecida até 2020, o que é um bom sinal, visto que o ano de 2016 corresponde a praticamente metade do período determinado pela Década, trazendo um cenário esperançoso para o país. Ao projetar a taxa de redução média desse período a partir de 2016, tem-se que no ano de 2020 o Brasil teria 33.061 mortes em acidentes de trânsito e chegaria muito próximo à meta de redução proposta para a Década (que resultaria em cerca de 31.000 mortes), conforme pode ser observado no gráfico da Figura 2 a seguir, elaborado pela equipe do OBSERVATÓRIO.[vc_separator type="transparent"][vc_single_image image="19077" img_size="full" qode_css_animation=""][vc_column_text]Figura 2 – Evolução da mortalidade no trânsito no Brasil e projeções até o final da Década

Fonte: Ministério da Saúde

 

Causas

O Presidente do OBSERVATÓRIO, José Aurélio Ramalho, argumenta ser difícil afirmar qual a causa para a redução de mortes em acidentes de trânsito nas vias e rodovias em 2016. Mas arrisca a atribuí-la a um conjunto de fatores. O aumento do valor das multas, os avanços na legislação e a adição de itens de segurança na frota (como airbag e ABS), como um todo, são prováveis fatores contribuintes para esta redução. Outros aspectos relacionados à mobilidade urbana, como a expansão da rede de ciclovias em muitas cidades brasileiras, e um número cada vez mais frequente de políticas voltadas para o usuário não motorizado, ele aponta também como causas positivas para a redução da mortalidade no trânsito. No caso da redução do número de mortes de ocupantes de ônibus, além de possíveis melhores condições de segurança neste tipo de transporte, outro fator pode estar associado a uma provável redução na circulação desses veículos, já que as vendas de óleo diesel diminuíram em torno de 4% em 2016 quando comparadas com 2015.

De modo semelhante, a maior aplicação da fiscalização, como, por exemplo, da “Lei Seca”, em um número maior de munícipios realizando operações, igualmente, pode ter contribuído. “Houve também a realização de campanhas de conscientização para um trânsito seguro, e, entre elas, destacamos o Movimento Maio Amarelo, que já se tornou uma ação que envolve toda a sociedade, órgãos públicos e privados em prol de um trânsito mais seguro”, pondera.

Ações como as citadas, somadas a novas medidas tomadas em 2016, como a obrigatoriedade do farol aceso em rodovias e as novas regras para a condução de caminhões (exame toxicológico), segundo Ramalho, podem ter auxiliado na continuidade de redução de acidentes de trânsito.

 

Cenário nos estados

 

Considerando as informações divulgadas pelo DataSUS, os estados que mais reduziram o número de mortes no trânsito em 2016 foram o Roraima (-36%), Ceará  e Sergipe (-14%). Já os que apresentaram os maiores aumentos foram Acre (+10%), Amapá, Bahia e Tocantins (+7%).

Detalhando um pouco mais o cenário, as maiores reduções no número de mortes por estado e por modo de transporte da vítima foram:

  • Pedestres no Pará (-42%), Rio Grande do Sul (-30%) e Sergipe (-25%);
  • Ciclistas em Roraima (-46%), Distrito Federal (-43%) e Amapá (-33%);
  • Motociclistas em Roraima (-47%) e no Rio de Janeiro (-31%);
  • Ocupantes de automóvel no Rio Grande do Norte (-41%), Roraima (-36%) e Sergipe (-20%);
  • Ocupantes de caminhão nas Alagoas, Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte, todos com redução de 100%, bem como Bahia (-53%), Santa Catarina (-51%), Amapá (-50%) e Roraima (-44%);
  • Ocupantes de ônibus em Amazonas e Rondônia, ambos com redução de 100%, além de Santa Catarina (-94%), Rio de Janeiro (-75%), Mato Grosso (-73%), Espírito Santo e Pernambuco (-67%), e Distrito Federal (-60%).

Por outro lado, os maiores aumentos no número de mortes por estado e por modo de transporte da vítima foram:

  • Pedestres no Amapá (+36%), no Mato Grosso (+18%) e na Paraíba (+13%);
  • Ciclistas no Acre (+60%), no Pará (+47%) e no Rio Grande do Sul (+43%);
  • Motociclistas nas Alagoas (+76%) e no Amapá (+44%);
  • Ocupantes de automóvel no Tocantins (+125%);
  • Ocupantes de caminhão no Maranhão (+204%), no Distrito Federal (+150%), no Rio Grande do Norte (+118%), no Rio Grande do Sul (+80%) e na Paraíba (+75%);
  • Ocupantes de ônibus no Paraná (+279%), no Pará (+267%), na Bahia (+233%) no Maranhão, Piauí e Ceará, todos com aumento de 100%, e em Goiás (+80%).

Dessa forma, fica o alerta para aqueles estados que apresentaram aumento do número de mortes em 2016. No gráfico da Figura 3 a seguir podem ser observadas as variações no número de mortes por estado.[vc_separator type="transparent"][vc_single_image image="19078" img_size="full" qode_css_animation=""][vc_column_text]Figura 3 – Variação no número de mortes no trânsito entre 2015 e 2016 nos estados e no Brasil

Além disso, a equipe do OBSERVATÓRIO também realizou análise dos dados a partir de indicadores de desempenho. Estes indicadores consistem no número de mortes/100 mil habitantes, que corresponde à quantidade de mortes que ocorre no trânsito a cada 100 mil habitantes; e também no número de mortes/10 mil veículos, que indica quantas mortes são registradas a cada 10 mil veículos circulando nas vias urbanas e rodovias. Em 2016, esses índices no Brasil foram 18,12 mortes/100 mil habitantes e 3,98 mortes a cada 10 mil veículos (deve-se tomar cuidado com o fato de que um baixo índice mortes/10 mil veículos pode ser devido à uma elevada frota e não necessariamente a um baixo número de mortes). Este tipo de análise auxilia no monitoramento da mortalidade no trânsito.

De acordo com o número de mortes de cada modo de transporte, bem como a frota relativa à este modo, e também à população residente de cada unidade federativa do Brasil, é possível observar que os estados que apresentam os maiores índices por modo de transporte, conforme indicado a seguir:

  • Maiores índices de mortes/100 mil habitantes

    • Pedestres: Distrito Federal (5,17), Paraná (4,21), Espirito Santo (3,83), Pernambuco (3,72), Santa Catarina (3,56);
    • Ciclistas: Mato Grosso do Sul (1,79), Piauí (1,46) e Roraima (1,36)
    • Motociclistas: Piauí (27,73), Tocantins (16,96), Maranhão (12,90), Mato Grosso (12,55), Sergipe (11,83) e Paraíba (10,35) – o índice de morte de motociclistas do gênero masculino por 100 mil habitantes é cerca de 20 vezes maior que o índice envolvendo o gênero feminino;
    • Ocupantes de automóvel: Tocantins (10,5), Paraná (8,23), Mato Grosso (8,14) e Santa Catarina (7,96);
    • Ocupantes de caminhão: Tocantins e Mato Grosso, ambos com 1,24 mortes/100 mil hab, Maranhão (1,05), Mato Grosso do Sul (0,86) e Goiás (0,73) – a taxa de morte de homens ocupantes de caminhão foi praticamente 15 vezes à de mulheres no ano de 2016;
    • Ocupantes de ônibus: Paraná (0,47) e Tocantins (0,26).

  • Maiores índices de mortes/10 mil veículos

    • Motociclistas: Piauí (11,90), Maranhão (9,60), Sergipe (9,18), Tocantins (8,41), Pernambuco (8,36) e Paraíba (7,7);
    • Ocupantes de automóvel: Tocantins (6,05), Maranhão (3,18), Paraíba (3,14), Piauí (3,07), Ceará (3,06) e Bahia (3,04);
    • Ocupantes de caminhão: Maranhão (12,33),
    • Ocupantes de ônibus: Paraná (8,40), Tocantins (5,88) e Maranhão (7,62);

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