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Uma reflexão no Dia Nacional da Prevenção de Acidente de Trabalho
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Uma reflexão no Dia Nacional da Prevenção de Acidente de Trabalho

Uma reflexão no Dia Nacional da Prevenção de Acidente de Trabalho

José Aurelio Ramalho*

julho/2021

 

No dia em que comemoramos o Dia Nacional da Prevenção de Acidente do Trabalho, é importante lembrar que essa cultura de diminuição de acidentes já está consolidada entre todas as empresas no país, independentemente do tipo de negócio que atua.

São milhares e milhões de reais direcionados na prevenção e redução desse tipo de acidente, onde os investimentos se diversificam em treinamentos, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), EPCs (Equipamentos de Proteção Coletivo) e nas SIPATs (Semanas Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho) pois, além da preocupação jurídica que o acidente causa, há também a perda da produtividade pela ausência parcial ou permanente do profissional acidentado. Estas ações de prevenção limitam-se muitas vezes nas áreas internas da empresa e dentro do período laboral.

Com o aumento dos deslocamentos diários realizados pela maioria da população dos últimos anos para diversas funções: trabalho, lazer, estudo, entre outras; o aumento do número de veículos nas vias, associado à má formação do condutor brasileiro, o Brasil que, segundo o ranking da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgado em 2018, ocupa o 4º lugar entre todos os países do mundo em número de sinistros de trânsito. Somente em 2019, morreram 31.945 brasileiros devido a essas ocorrências.

Quando nos referimos aos acidentes de trânsito, a situação se torna muito mais impactante dentro das empresas, pois pode ocorrer fora do horário de trabalho e também fora de um ambiente controlado (dentro da área da empresa, por exemplo) ou seja, o risco é ampliado dezenas ou até centenas de vezes.

Todos os trabalhadores, independente do cargo que ocupam, precisam se deslocar para chegar ao trabalho por meio do transporte coletivo, carros particulares ou ainda de motocicleta, bicicleta ou a pé. Ou seja, o trânsito está presente em todas as atividades do cidadão, desde que nasce, até quando morre.

Qualquer sinistro de trânsito que envolva um colaborador vai significar afastamento do trabalho, reposição dessa mão-de-obra, atrasos em cronogramas e decisões, além da consequente perda de produtividade e até dos resultados da empresa. Importante ressaltar também as perdas nos investimentos realizados com treinamento e capacitação do colaborador que se envolveu na ocorrência de trânsito.

O sinistro de trânsito traz também efeitos colaterais para a produtividade, gerados muito além de seus colaboradores. Quando um familiar deste colaborador é vítima de um acidente de trânsito, a empresa sofre com o afastamento desse empregado, numa proporção direta ao grau de parentesco da pessoa acidentada.

Outro ponto em que o sinistro de trânsito afeta a atividade empresarial é com relação aos planos de saúde, cujos gastos acumulados num determinado exercício, irão impactar nos custos futuros a serem desembolsados pelos colaboradores e pela empresa.

Para uma família que teve um integrante envolvido num sinistro de trânsito, os transtornos são inúmeros. Se ele tiver uma sequela temporária que o impeça de se locomover, algum outro membro da família também para de trabalhar para cuidar dele. Essas situações são encontradas em muitas famílias no nosso país, onde há cada vez mais jovens pilotando motocicletas. O sinistro envolvendo moto, na maioria das vezes, traz sequelas graves, com uma recuperação lenta e difícil. Esse “efeito colateral” do sinistro de trânsito deve ser considerado, quando falamos dos transtornos e dos custos envolvendo a falta de respeito e conscientização dos que transitam.

Existem muitos outros transtornos envolvendo as ocorrências de trânsito. Entre eles, os gigantes congestionamentos que provocam perdas irreparáveis e incontáveis, a desmobilização da força de trabalho, o absenteísmo, entre outros. Um dos dados mais impactantes recentes sobre essas ocorrências são as envolvendo quedas de energia elétrica, devido às colisões com postes. Concessionárias que prestam esses serviços nos estados, periodicamente divulgam números assustadores sobre a falta de energia advinda dessas situações.

Há menos de um ano, a Energisa Sergipe divulgou que em 2020, houve um aumento de 17,4% de ocorrências desse tipo se comparado com os dados do ano anterior. A empresa estima que 300 mil clientes tiveram seu abastecimento interrompido durante todo o ano, devido a esse tipo de ocorrência, um aumento em 66% no total de clientes afetados em 2020, se comparado com 2019. A troca de um poste de energia, derrubado pelo sinistro de trânsito, demora de 4 a 8 horas para a regularização e normalização do sistema.

Por isso, o OBSERVATÓRIO trabalha incansavelmente, há 10 anos, disponibilizando dados, realizando estudos, promovendo pesquisas, criando programas e projetos que envolvam a sociedade no conhecimento dos riscos do trânsito. Dividindo as responsabilidades por um trânsito mais seguro, conquistaremos a segurança que todos nós almejamos para quem transita, seja ele, você ou quem nem conhecemos. Que assim seja!

 

José Aurelio Ramalho

Diretor-presidente do OBSERVATÓRIO Nacional de Segurança Viária.

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